Van paralisa transporte entre Batayporã e Nova Andradina e deixa trabalhadores em situação delicada

BATANEWS/REDAçãO


Foto Ilustrativa - Crédito: Unsplash

A interrupção inesperada do transporte realizado pela empresa responsável pela linha Batayporã–Nova Andradina, tem causado transtornos e preocupação entre trabalhadores que dependem diariamente do serviço para chegar ao emprego na cidade vizinha.

Sem aviso e sem explicações claras aos usuários, a van simplesmente deixou de circular, deixando dezenas de moradores sem alternativa imediata de locomoção. Muitos relatam medo de perder o emprego, já que atrasos e faltas não são considerados justificáveis pelos empregadores.

Em grupos de WhatsApp, como o recém-criado “Caronas Batayporã–Nova Andradina”, moradores tentam se organizar para não ficarem totalmente desassistidos. O grupo também se tornou espaço de desabafo e cobrança.

“Estamos com dificuldade para nos locomover. Quem tem carona ainda se vira, mas quem não tem está praticamente perdido”, relatou uma usuária. Outro morador destacou o impacto financeiro: “O patrão não aumenta salário, e agora tudo vai ficar no Uber”.

Há também revolta entre trabalhadores que já haviam adquirido vale-transporte da empresa. “Se outra empresa assumir a linha, perdemos os vales. A empresa deveria ressarcir”, comentou uma moradora.

Com a paralisação, motoristas autônomos passaram a oferecer caronas pagas, R$ 30 a viagem individual e R$ 20 no caso de mais passageiros, valores considerados altos para quem precisa se deslocar todos os dias.

Empresa alega falta de liberação da AGEMS. Procurada pelos usuários, a empresa enviou mensagem em um dos grupos de WhatsApp afirmando que não está operando por falta de liberação da AGEMS (Agência Estadual de Regulação).
“Peço desculpas, mas não conseguimos a liberação da AGEPAN. Assim que liberarem retornaremos”, disse um representante da empresa.
Para muitos moradores, a justificativa foi recebida com indignação, já que, segundo relatos, os problemas documentais são antigos e poderiam ter sido resolvidos antes da apreensão de um dos veículos.

O prefeito Germino Roz divulgou um áudio explicando que a empresa foi autuada pela AGEMS por irregularidades cadastrais, o que resultou na apreensão de um ônibus e na suspensão da linha.

Ele reforçou que o transporte intermunicipal é responsabilidade exclusiva do Estado:
“Não é a prefeitura que escolhe a empresa, não é a prefeitura que licita. Não posso colocar um ônibus municipal para substituir o serviço. Se eu fizer isso, a AGEMS apreende o veículo da prefeitura”, afirmou.

Germino informou ainda que cobrou agilidade da agência reguladora e aguarda até segunda-feira um posicionamento sobre a regularização da empresa ou a entrada de outra empresa interessada na rota.

Trabalhadores temem prejuízos maiores
Com a indefinição, cresce a preocupação entre os usuários. Muitos têm horários incompatíveis com caronas e já relatam dificuldades financeiras devido às alternativas mais caras de transporte. “Estamos há dias sem saber o que fazer. Precisamos de uma solução”, desabafou um dos trabalhadores que procuraram o Bata News.

A reportagem do Bata News entrou em contato com a empresa na manhã desta sexta-feira (28). O jornalista Ney Olegário relatou que há dias vem sendo procurado por trabalhadores afetados e solicitou à empresa uma nota oficial esclarecendo a situação.
Até o fechamento desta matéria, a empresa ainda não havia respondido aos questionamentos. O portal segue aguardando posicionamento para atualizar as informações assim que houver retorno.

Diante do impasse e da falta de previsão para retomada do serviço, usuários da linha reforçam um apelo ao prefeito e aos vereadores de Batayporã para intervirem institucionalmente junto à AGEMS, solicitando uma audiência urgente com a agência reguladora. A demanda da população é para que o órgão apresente uma posição clara sobre a situação da empresa, caso a empresa não consiga se regularizar, que libere imediatamente a linha para que outras empresas possam se cadastrar e assumir o transporte. Segundo os trabalhadores, “não há condições de ficar sem o serviço nem por mais alguns dias”, já que a paralisação tem causado prejuízos diretos, risco de faltas no trabalho e dificuldades de deslocamento que afetam dezenas de famílias.

Situação segue indefinida
Enquanto isso, moradores continuam se organizando em grupos de WhatsApp para garantir caronas e evitar prejuízos maiores no trabalho. A comunidade aguarda que a AGEMS finalize o processo e apresente uma solução definitiva, seja a regularização da empresa, seja a transferência da linha para outra empresa.