Cotidiano
Como a 'faxina de fim de ano' pode beneficiar sua saúde mental
BATANEWS/FOLHA
À medida que o ano se aproxima do fim, muita gente sente necessidade de arrumar a casa, seus armários e gavetas, e se desfazer daquilo que já não serve mais.
Embora isso pareça apenas uma tarefa prática, a 'faxina de fim de ano' carrega um componente simbólico importante para a saúde mental: ela funciona como um gesto de encerramento de ciclo.
'O fim do ano funciona como um marcador temporal simbólico. Nós temos a tendência de organizar nossa vida em ciclos. Assim, quando um ciclo se encerra, como um ano, existe uma tendência a revisar, ajustar e preparar terreno para o próximo', explica a psicóloga Ana Lúcia Karasin, do Espaço Einstein Bem-estar e Saúde Mental, do Einstein Hospital Israelita.
Colocar a 'mão na massa' acaba sendo uma forma de lidar com as emoções acumuladas ao longo do ano que passou.
'Ao organizar o ambiente, pode haver uma reorganização do nosso mundo interno, encerrando pendências, elaborando experiências e ressignificando momentos vividos', diz Karasin.
Esse processo também envolve a prática do desapego. Passar adiante roupas que não servem mais, papéis que perderam a função ou objetos que já não representam nada é mais do que liberar espaço no armário: é abrir espaço emocional.
'Pode parecer um gesto simbólico, mas ele tem um enorme poder. Quando a pessoa se desfaz de objetos que não fazem mais sentido, ela libera espaço físico e, simbolicamente, autoriza-se a abrir espaço mental e emocional', afirma a psicóloga.
'Esse tipo de ação funciona como um rito de encerramento de cic lo, ajudando o cérebro a transicionar da lógica do ‘acúmulo’ para a lógica da ‘renovação’.'
Não é à toa que, ao final de um dia de faxina, muita gente relata sentir cansaço físico, mas com a mente mais leve —ambientes organizados contribuem para o bem-estar psicológico. 'Eles favorecem uma sensação de previsibilidade e segurança, pilares importantes para a regulação emocional', diz Karasin.
O contrário também é verdadeiro: o caos visual funciona como um ruído constante, um excesso de estímulos que compete pela atenção e aumenta o desgaste mental.
'Um ambiente mais limpo e simples reduz a sobrecarga cognitiva e pode favorecer estabilidade', ressalta a especialista.
Outro efeito comum nesse processo é a redução da ansiedade. Embora não seja uma solução definitiva, colocar a casa em ordem ajuda a devolver a percepção de controle.
'A ansiedade está ligada a uma sensação de descontrole. Organizar o ambiente devolve à pessoa a percepção de que pode intervir na própria realidade, gerando um efeito calmante e fortalecendo a autoeficácia', afirma Karasin.
Parte dessa busca por renovação no fim do ano se intensifica justamente porque o período carrega um peso coletivo. Para muita gente, significa renovar promessas de mudanças, metas e novas possibilidades.
'Culturalmente, marca um recomeço. Aprendemos que ‘no próximo ano tudo pode ser diferente’, e isso cria expectativas positivas de renovação', observa a psicóloga do Einstein.
Mas como manter esse astral ao longo do ano que se inicia?
Ana Lúcia Karasin sugere pequenas práticas que ajudam a cultivar organização e bem-estar emocional de forma contínua:






