Os ruídos entre Moraes e CGU nas investigações que atingem Bolsonaro

A Controladoria-Geral terá de prestar esclarecimentos sobre um pedido de compartilhamento de provas

BATANEWS/CARTACAPITAL


Foto: Rosinei Coutinho/STF

O ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes fixou, nesta sexta-feira 12, o prazo de cinco dias para a Controladoria-Geral da União esclarecer uma solicitação para obter provas de três investigações que miram, entre outros, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Em petição a Moraes, a CGU havia mencionado uma apuração interna sobre a entrada ilegal de joias doadas pela Arábia Saudita ao governo brasileiro, à época chefiado por Bolsonaro. O órgão pedia o envio de provas e anexos correlatos às investigações em curso no STF sobre as joias, as milícias digitais e o vazamento  —  pelo ex-presidente  —  de dados sigilosos do inquérito sobre um ataque hacker ao Tribunal Superior Eleitoral.

A Controladoria-Geral afirmava não precisar de toda a documentação ligada a esses processos, apenas daqueles itens necessários ao prosseguimento de suas apurações.

Moraes cobrou, porém, que a CGU “preste esclarecimentos complementares e promova a adequada fundamentação do requerimento, uma vez que as razões apresentadas não são suficientes para aferir a extensão, a necessidade e a pertinência da medida pleiteada'.

Na relação de arquivos que a CGU espera receber estão uma série de diálogos de WhatsApp entre o tenente-coronel Mauro Cid e o coronel Marcelo Câmara (ex-auxiliares de Bolsonaro), e conversas sobre as joias entre Cid e seu pai, o general Lourena Cid.

“Ressalto que tais elementos de prova são imprescindíveis para análise do caso, de modo a possibilitar a esta CGU (…) a adoção das providências cabíveis para a promoção da responsabilização administrativa dos agentes públicos federais envolvidos', justificou o órgão.

Em março, a Procuradoria-Geral da República pediu a Moraes o arquivamento do inquérito sobre o desvio de joias sauditas. Dias depois, o ministro mandou a PGR analisar o relatório final da Polícia Federal em relação ao advogado Frederick Wassef.