Agricultura
Mesmo com juros altos e incertezas globais, consumo de fertilizantes cresce no Brasil
Entregas ao mercado somaram 9,76 milhões de toneladas no primeiro trimestre de 2026, enquanto a produção nacional caiu 16,2% e o país seguiu dependente das importações.
BATANEWS/OPR
As entregas de fertilizantes ao mercado brasileiro cresceram no início de 2026, mesmo em um ambiente marcado por tensões geopolíticas, juros elevados e dificuldades de acesso ao crédito rural. Entre janeiro e março, foram comercializadas 9,76 milhões de toneladas de adubos, alta de 3,8% em relação ao mesmo período do ano passado.
Os dados são da Associação Nacional para Difusão de Adubos e indicam que a demanda por fertilizantes segue aquecida, sustentada principalmente pelas perspectivas para a próxima safra e pela necessidade de manter a produtividade das lavouras.
Somente em março, as entregas atingiram 2,83 milhões de toneladas, volume 18,7% superior ao registrado no mesmo mês de 2025, quando foram comercializadas 2,38 milhões de toneladas.
O destaque continua sendo o Mato Grosso , principal consumidor de fertilizantes do país. O estado concentrou 25,2% das entregas nacionais no primeiro trimestre, com 2,45 milhões de toneladas.
Na sequência aparecem Goiás , com 1,10 milhão de toneladas, São Paulo , com 1,08 milhão, Paraná , com 1,02 milhão, Minas Gerais , com 882 mil toneladas, além de Mato Grosso do Sul e Bahia , ambos acima de 540 mil toneladas.
Produção nacional recua e dependência externa permanece elevada
Enquanto a demanda cresceu, a produção brasileira de fertilizantes intermediários seguiu em queda. Em março, as fábricas nacionais produziram 483 mil toneladas, redução de 9,7% na comparação anual.
No acumulado do primeiro trimestre, a produção alcançou 1,41 milhão de toneladas, volume 16,2% inferior ao registrado no mesmo período de 2025, quando foram produzidas 1,68 milhão de toneladas.
Segundo a ANDA, o resultado pode não refletir integralmente a capacidade produtiva do setor, uma vez que
mudanças societárias e a retomada de operações em alguns ativos dificultaram a captura de todos os dados de produção no período.
Mesmo assim, os números reforçam uma característica histórica do mercado brasileiro: a forte dependência do exterior para suprir a demanda interna por fertilizantes.
As importações de fertilizantes intermediários somaram 8,15 milhões de toneladas entre janeiro e março, volume 4% menor que o registrado no mesmo período do ano passado. Ainda assim, a quantidade importada foi quase seis vezes superior à produção nacional do trimestre.
Paranaguá mantém liderança nas importações
Principal porta de entrada dos fertilizantes no país, o porto de Paranaguá recebeu 2,12 milhões de toneladas de adubos no primeiro trimestre.
O volume representa queda de 13,5% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram descarregadas 2,45 milhões de toneladas. Apesar da retração, o terminal respondeu por 26,1% de todas as importações brasileiras de fertilizantes realizadas no período.
Os números mostram que, embora o consumo de adubos continue crescendo, a cadeia ainda enfrenta desafios estruturais. O cenário internacional permanece instável, influenciado por conflitos geopolíticos e oscilações cambiais, enquanto os custos financeiros elevados pressionam o produtor rural e limitam a capacidade de investimento no campo.





