‘Uma bomba prestes a explodir’: o fator de risco na nova crise da família Bolsonaro

Comentaristas avaliam que novos episódios envolvendo aliados e o desgaste junto ao eleitorado feminino ampliam os desafios da pré-candidatura de Flávio

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Foto: Assessoria

O agravamento da crise entre Michelle Bolsonaro e Flávio Bolsonaro ganhou um novo capítulo. No programa Os Três Poderes, os editores José Benedito da Silva, Laryssa Borges e Diogo Schelp avaliaram que a sucessão de conflitos internos, somada à atuação de aliados e influenciadores próximos ao bolsonarismo, tem dificultado a tentativa do senador de consolidar sua candidatura à Presidência da República. O maior prejuízo imediato ocorre junto ao eleitorado feminino, segmento considerado estratégico para a disputa de 2026 (este texto é um resumo do vídeo acima).

Por que um aliado virou novo problema para Flávio Bolsonaro?

Ao comentar declarações do influenciador Paulo Figueiredo, José Benedito afirmou que o episódio ampliou o desgaste da campanha justamente em um momento em que Flávio tenta melhorar sua imagem. “Com os amigos que o Flávio tem, ele não precisa nem de inimigos”, resumiu.

Figueiredo é um personagem de grande influência nas redes sociais e mantém proximidade com Eduardo Bolsonaro e, indiretamente, com Flávio. Para José Benedito, o problema não foi apenas o conteúdo das declarações, mas a demora do senador em reagir publicamente. “O problema do Flávio não é dizer ‘eu não respondo pela fala dos outros’. É que ele alimenta esse tipo de relação com essas pessoas”, afirmou.

Na avaliação do jornalista, a estratégia de manter os Estados Unidos como um dos centros políticos da campanha faz com que declarações de aliados acabem repercutindo diretamente sobre a candidatura.

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Como a crise afeta o eleitorado feminino?

José Benedito afirmou que o episódio ocorre justamente quando Flávio tenta reduzir sua rejeição entre as mulheres. Como exemplo, citou um evento organizado pelo senador em Brasília voltado ao público feminino, que, segundo ele, teve baixa adesão de lideranças importantes do campo conservador. “O ato foi um fiasco”, disse, mencionando as ausências de Michelle Bolsonaro, Damares Alves, Tereza Cristina e Celina Leão.

Na avaliação do editor, o episódio reforça a dificuldade do senador em ampliar apoio entre um dos segmentos considerados decisivos para a eleição presidencial.

Por que Michelle continua no centro da crise?

Para Laryssa Borges, os conflitos familiares vão muito além do recente embate com Flávio Bolsonaro. Segundo a jornalista, Michelle já acumulava desavenças com diferentes integrantes da família Bolsonaro antes mesmo da divulgação dos vídeos que desencadearam a crise. “A Michelle não se dá bem com nenhum dos filhos do marido”, afirmou.

Ela lembrou que a ex-primeira-dama citou, nos vídeos divulgados recentemente, a atuação de pessoas que estariam nos Estados Unidos estimulando ataques contra ela — referência que, segundo Laryssa, inclui Paulo Figueiredo. A jornalista também afirmou que aliados de Michelle e da senadora Damares Alves passaram a ser alvo de ataques nas redes sociais após o conflito ganhar dimensão pública.

Por que Michelle é vista como um fator de risco político?

Na análise de Laryssa Borges, Michelle ocupa hoje uma posição singular dentro do bolsonarismo. “A Michelle é uma espécie de arquivo vivo da família Bolsonaro.”

Segundo ela, por acompanhar há anos os bastidores familiares e políticos, a ex-primeira-dama conhece episódios que podem ganhar repercussão pública durante a campanha. “A gente está diante de uma família se digladiando em público. Isso pode ser uma bomba prestes a explodir”, afirmou.

O debate encerrou-se com a avaliação de que o racha interno continua sem perspectiva de solução imediata e tende a permanecer como um dos principais fatores de instabilidade no campo bolsonarista às vésperas da intensificação da corrida presidencial.