Filha de pastores mantinha relação íntima com líder de facção e usava projeto religioso para favorecer a organização

Ela e os pais fazem parte de um grupo ligado a uma igreja evangélica investigado por se aproveitar da condição de missionários para entrar em presídios, levar recados e lavar dinheiro em benefício dos criminosos.

BATANEWS/REPORTERMT


Foto: Divulgação

Ravhenna Barcelos de Almeida, filha de pastores, é alvo de um mandado de prisão preventiva na Operação Fariseus, deflagrada pela Polícia Civil na manhã de hoje (16), por utilizar um projeto religioso para favorecer uma facção atuante em Mato Grosso e manter um relacionamento íntimo com o líder da organização. Ela e os pais, Nivaldo de Almeida e Orminda Carlos de Barcelos Almeida, fazem parte de um grupo ligado a uma igreja evangélica investigado por se aproveitar da condição de missionários para entrar em presídios, levar recados e lavar dinheiro em benefício dos criminosos.

'Um alvo preso tinha uma relação íntima, de afeto, com um líder de uma organização criminosa e os pais dela, que também foram alvos, são pastores de uma igreja evangélica e atuavam da mesma forma que ela, levando recados e atuando em prol da organização criminosa fora dos presídios', explicou o delegado Victor Hugo Caetano de Freitas, da Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco).

Conforme o responsável pelas investigações, os integrantes da igreja iam até as unidades prisionais para oferecer assistência aos presos por meio de um projeto religioso, mas se aproveitavam da condição para, de forma dissimulada, prestar suporte operacional e facilitar a comunicação da facção. Segundo a Polícia Civil, o grupo extrapolava a finalidade da atividade declarada e, utilizando o acesso ao sistema prisional, favorecia a aproximação, o apoio e o eventual fortalecimento de lideranças da organização que estavam presas ou foragidas da Justiça.

'Os criminosos são membros de igreja evangélica e atuavam entrando nos presídios sob o subterfúgio de serem missionários e levarem a palavra aos detentos. No entanto, mantinham relações íntimas com líderes da facção criminosa que atua em Mato Grosso, levavam recados e também lavavam dinheiro para eles', pontuou o delegado.

Ao todo, a operação cumpriu 27 ordens judiciais, entre elas um mandado de prisão preventiva, expedido contra a filha dos pastores, e quatro mandados de busca e apreensão domiciliar. Também foram determinadas quebras de sigilo telefônico, telemático e financeiro.

Modus operandi

As mulheres ligadas ao projeto religioso integravam um grupo que realizava viagens ao Rio de Janeiro, frequentava áreas dominadas pela facção criminosa e mantinha relacionamentos pessoais e íntimos com integrantes da organização. Parte dessas viagens era custeada pelos próprios criminosos.

As conversas analisadas também indicaram que integrantes do núcleo familiar intermediavam contatos com presos e mantinham comunicação direta com internos por telefone. Em um dos episódios, uma investigada solicitou a aplicação de um 'salve' contra um homem acusado de furto, expressão utilizada por organizações criminosas para determinar punições disciplinares.

A investigação identificou ainda diálogos relacionados à venda de uma arma de fogo que estaria escondida em uma propriedade rural utilizada pela família. O fato foi analisado em conjunto com fotografias de armamentos e outros registros que demonstrariam a convivência dos investigados com integrantes armados da facção.

Segundo a Polícia Civil, os elementos reunidos indicam que o grupo investigado extrapolou os limites da assistência religiosa e estabeleceu vínculos pessoais, comunicacionais e financeiros com presos, foragidos e lideranças da organização criminosa. O grau de participação e a extensão da cooperação prestada por cada investigado ainda estão sendo individualizados no decorrer das investigações.