Alexandre de Moraes transfere preso do 8 de Janeiro para seu estado de origem

Comissão de Direitos Humanos do Senado divulgou relatório sobre réus que cumprem penas a até 3.000 quilômetros de distância das famílias

BATANEWS/VEJA


No dia 8 de Janeiro de 2023, vândalos depredaram as sedes do Palácio do Planalto, do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal -  (Lucas Neves/Agência Enquadrar/Folhapress/.)

No dia 30 de junho, VEJA mostrou que alguns dos presos pelos atos golpistas do 8 de Janeiro estão encarcerados a até 3.000 quilômetros de distância de suas famílias, segundo um relatório da Comissão de Direitos Humanos do Senado.

Grande parte deles cumpre pena desde 2023 após a invasão e depredação das sedes do Palácio do Planalto, do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal.

Um dos exemplos citados no relatório foi o de Marinho Junio Nascimento de Lima, condenado a 14 anos de reclusão e há nove meses cumprindo a pena na penitenciária da Papuda, em Brasília.

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Ele tem esposa e três filhos menores, incluindo um com autismo, que moram em Rio Branco, no Acre, a 3.000 quilômetros da Capital. Lima afirmou à comissão que só teve até o momento “contato virtual” com a esposa. Ele tinha feito um pedido de transferência, mas não havia sido atendido.

Na semana passada, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, autorizou  a transferência de Marinho Junio para um estabelecimento prisional em Rio Branco, no Acre.

Há outros presos que pedem o mesmo tratamento. Igilso Manoel de Lima, também detido na Papuda, informou à comissão que gostaria de cumprir o restante da pena em Santa Catarina, onde tem quatro filhas e uma neta de dois anos de idade. Ele alegou que o afastamento da família e o término de seu casamento “produziram significativo abalo emocional e psicológico”.

Condenado a 16 anos de prisão, Matheus Fernandes Bonfim, de Vitória da Conquista, na Bahia, relatou ter uma filha de 12 anos de idade, que nunca fez visita presencial na penitenciária, o que lhe causou “relevante impacto emocional”.

“Recebemos com grande alegria a decisão do ministro Alexandre de Moraes, que determinou a transferência do Marinho para um estabelecimento prisional próximo de sua família”, diz a advogada Carolina Siebra.

“Os presos do 8 de Janeiro estão sendo submetidos ao afastamento de seus familiares, o que sempre apontamos como mais uma grave violação”, acrescentou. Segundo ela, o STF está começando a se atentar para a situação.