Policial
“Melhor ficar na cadeia do que morrer na rua”, diz tia de adolescente executado
Atirador invadiu a residência durante a madrugada, fez ao menos 12 disparos e fugiu em uma Honda Biz do local
BATANEWS/CGNEWS
A tia do adolescente de 16 anos morto com pelo menos 12 tiros na madrugada desta segunda-feira (20), no Vila Nhanhá, em Campo Grande, afirmou que o avanço da violência e do tráfico tem causado medo entre os moradores da região.
“Acho que a melhor opção é ficar na cadeia do que morrer na rua. Porque na cadeia ele fica guardado. Ninguém quer parar aqui', declarou a mulher, que pediu para não ter o nome divulgado.
Ela mora perto da casa onde o sobrinho foi assassinado e contou que estava dormindo quando ouviu os disparos e gritos. Com medo, permaneceu dentro da residência. “Nem abri o portão, fiquei dentro de casa. Tenho medo de falar. Se eu falar, vão matar meu filho', disse.
Segundo a tia, o próprio filho já sofreu uma tentativa de homicídio na esquina da residência onde ocorreu o crime. “Meu filho levou um tiro e caiu mais para baixo. O amigo dele chegou na hora, socorreu e levou para o hospital', relatou.
A mulher também afirmou que o sobrinho tinha envolvimento com drogas e que a mãe dele havia comentado sobre ameaças anteriores. Ela disse ainda que o filho também chegou a ser ameaçado de morte, mas foi retirado do bairro.
De acordo com a testemunha, havia outra pessoa na casa no momento dos disparos, possivelmente um amigo da vítima. Ela acredita que essa pessoa tenha fugido após o início dos tiros. “Quem não correria em uma hora dessas?', questionou.
Câmeras de segurança próximas à residência registraram o suspeito do crime chegando ao local, mas, por medo de represálias, as imagens não foram compartilhadas pelos moradores.
Execução - Segundo o boletim de ocorrência, a Polícia Militar foi chamada após moradores ouvirem disparos na casa localizada na Rua Eduardo Pérez. Quando a equipe chegou, os bombeiros já estavam no endereço. O adolescente foi encontrado caído próximo à porta da sala.
Testemunhas contaram à polícia que o atirador chegou em uma motocicleta modelo Honda Biz. Ele entrou pelo portão da residência e seguiu até a sala, onde o adolescente estava deitado no sofá. Em seguida, disparou várias vezes e fugiu.
Outro adolescente dormia na casa e acordou com o barulho dos tiros. Ao sair para verificar o que havia acontecido, encontrou a vítima caída, mas não conseguiu ver quem fez os disparos.
A testemunha também relatou que, cerca de dois dias antes, o adolescente havia discutido com uma pessoa que não morava na região. O motivo do desentendimento não foi informado.
A perícia foi acionada e encontrou no imóvel 11 cápsulas de munição calibre 9 milímetros, dois projéteis e parte metálica de outro projétil. Equipes do GOI (Grupo de Operações e Investigações) e da Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) Cepol estiveram no endereço para realizar os primeiros levantamentos sobre o crime.




