Microrganismos mortos ajudam a preservar o solo

O processo começa quando a planta fornece carbono por meio de resíduos.

BATANEWS/AGROIN


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A compreensão sobre a formação da matéria orgânica do solo passa por uma mudança importante, com maior atenção ao papel dos microrganismos. Segundo Marcus Lourenço “Polé”, biólogo, parte relevante do carbono mais estável pode ter origem não apenas nos resíduos das plantas, mas também nos microrganismos mortos, que deixam no solo a chamada necromassa microbiana.

O processo começa quando a planta fornece carbono por meio de resíduos e exsudatos radiculares. Açúcares, aminoácidos e outros compostos são liberados pelas raízes e alimentam bactérias, fungos e leveduras. Esses organismos usam o carbono para crescer, reproduzir-se e realizar suas funções, incorporando-o à biomassa microbiana, formada por novas células e estruturas.

Após a morte dos microrganismos, parte de seus componentes celulares permanece no solo e forma a necromassa. Esse material pode ficar protegido dentro de agregados ou associado a minerais, como argilas e óxidos, o que evita sua decomposição rápida. Com isso, tende a se transformar em matéria orgânica estável, capaz de armazenar carbono por décadas ou séculos.

Essa dinâmica mostra que a vida microbiana ajuda a construir o solo e, depois, também participa de sua preservação. O efeito pode aparecer no maior sequestro de carbono, na melhora da estrutura e da formação de agregados, na retenção de água e nutrientes, na fertilidade, na produtividade e na resiliência diante do clima.

O avanço desse conhecimento também amplia as possibilidades de manejo. Entre elas estão práticas que favoreçam comunidades microbianas eficientes, o uso estratégico de bioinsumos e inoculantes, o aumento contínuo de resíduos e da diversidade de carbono e a atenção não apenas à sobrevivência dos microrganismos, mas ao legado que deixam no solo.