Agronegócios
Previsão de chuva nos EUA interrompe disparada no preço da soja em MS
Na melhor cotação do ano, na última sexta-feira a saca chegou a R$ 132,00 em Campo Grande. Nesta segunda-feira (27), caiu quatro reais
NERI KASPARY
Depois de atingir R$ 132,00 na sexta-feira (24) em Campo Grande e na região sul do Estado, o melhor preço do ano, o preço da saca de soja teve forte recuo nesta segunda-feira, da ordem de R$ 4,00, ou 32 pontos na Bolsa de Chicago, referência para a definição dos preços de um dos principais produtos da economia de Mato Grosso do Sul.
Mas, se a comparação for com o dia 15 de junho, quando a saca estava em R$ 115,00, o valor atual ainda é satisfatório. E, tanto o aumento das cotações ao longo das últimas semanas quanto a retração desta segunda-feira têm a mesma explicação: as condições climatológicas nos Estados Unidos, segundo Carlos Ronaldo Dávalos, da Granos Corretora.
Nas últimas semanas, explica ele, as cotações mundiais foram afetadas por conta do calor e da escassez de chuvas em algumas das principais regiões produtoras dos EUA. Neste fim de semana, porém, os meteorologistas indicaram a previsão de chuvas significativas para os próximos dias e o otimismo daqui sofreu uma importante interrupção.
“A Bolsa de Chicago caiu 32 pontos nesta segunda-feira. Isso significa cerca de R$ 4,00 por saca aqui no Estado. É uma queda significativa, mas isso não significa que os preços não possam reagir novamente, pois o período da floração e granação vai até o dia 30 de agosto nos Estados Unidos. Até lá podem ocorrer outras estiagens e isso tende a influenciar diretamente nos preços daqui”, explica o corretor.
Mas, mesmo que as chuvas sejam fartas nos Estados Unidos, o mercado aponta melhora nos preços para a próxima safra. Na semana passada, por exemplo, a saca de soja estava sendo vendida por R$ 126,00 para entrega em fevereiro do próximo ano, segundo Ronaldo Dávalo. O preço é bem melhor que em fevereiro deste ano, quando as cotações estavam na casa dos R$ 110,00.
Mesmo assim, segundo Ronaldo Dávalo, pouca gente fez negócios. Isso ocorre porque muitos produtores estão esperando preços melhores, já que os estoques mundiais estão em baixa.
O aumento de preço de agora beneficia somente uma pequena parcela das cerca de 16,7 milhões de toneladas produzidas na última safra em Mato Grosso do Sul, a maior da história do Estado. De cardo com Ronaldo Dávalo, entre 75% e 80% da produção já está comprometida.
Sendo assim, ainda estariam disponíveis em torno de 4 milhões de toneladas para comercialização. Isso significa quase 66,5 milhões de sacas. Em 15 de junho, quando a saca estava sendo vendida a R$ 115,00, este volume renderia R$ 7,6 bilhões caso fosse faturado naquele período.
Com a reação dos preços ao longo das últimas semanas, nesta segunda-feira (27) renderiam em torno de R$ 8,8 milhões. Ou seja, um acréscimo de R$ 13,00 na cotação garante R$ 1,2 bilhão a mais nas mãos dos produtores e empresas que estão guardando estas quatro milhões de toneladas.
EXPORTAÇÕES
Depois de ser superada pela celulose, a soja voltou neste ano a ocupar o primeiro lugar nos produtos de maior relevância nas exportações e Mato Grosso do Sul, com 33,5% do total faturado, US$ 2 bilhões. Isso representa aumento de 30,5% ante igual perído do ano anterior.
Porém, a melhora nos preços não chegou ao bolso dos produtores, que no último ciclo fizeram a maior colheita da história do Estado, com 16,7 milhões de toneladas. No primeiro semestre do ano passado foram exportadas 4,076 milhões de toneladas, ante 4,687 milhões de toneladas em igual período de 2026.
A diferença, porém, foram os valores faturados. Em 2025, conforme os dados oficiais, as vendas externas renderam US$ 1,51 bilhão, com a tonelada rendendo US$ 372 dólares Neste ano, o faturamento ficou um pouco acima dos US$ 2 bilhões, ou US$ 427 a tonelada.
Traduzindo: no primeiro semestre do passado a saca de 60 quilos rendeu uma média de R$ 115 aos exportadores. Neste ano, o valor saltou para a casa dos R$ 134,00, um valor bem superior ao daquele que chegou aos produtores.
Os produtores, porém, receberam menos em 2026 do que no ano anterior. No primeiro semestre do ano passado o preço médio da soja ao produtor em Campo Grande, por exemplo, ficou entre R$ 117,00 e 121,00. Neste ano, o valor médio ficou entre R$ 108,00 e R$ 115,00. Uma das explicações é a queda na cotação do dólar.




