28,4 mil pessoas saem do Mais Social após melhorar de vida em MS

História de família de Campo Grande ajuda a mostrar estratégia de Riedel que combina assistência, qualificação e emprego: em quatro anos, extrema pobreza caiu 60% em MS.

BATANEWS/REDAçãO


28,4 mil pessoas saem do Mais Social após melhorar de vida em MS História de família de Campo Grande ajuda a mostrar estratégia de Riedel que combina assistência, qualificação e emprego: em quatro anos, extrema pobreza caiu 60% em MS

Quando perdeu o emprego em uma lavanderia, Marcos Gabriel de Arruda Calonga, de 34 anos, viu a preocupação mais básica voltar a ocupar espaço dentro de casa: garantir comida para a família. No bairro Parati, em Campo Grande, ele vive com a esposa, quatro filhos e a sogra. Sem a renda do trabalho, a incerteza passou a fazer parte da rotina.

Foi nesse período que o Mais Social entrou na vida da família. O benefício ajudou a atravessar a fase mais difícil enquanto Marcos buscava outros caminhos para voltar ao mercado de trabalho.

Ele fez um curso de barbeiro, começou a atender em casa, trabalhou como zelador de uma igreja e, mais tarde, conseguiu emprego como vigilante em uma entidade sindical rural. Aos poucos, a renda voltou. Os dois filhos mais velhos, hoje com 17 e 18 anos, também ingressaram no mercado de trabalho.

Quando percebeu que a situação da família havia mudado, Marcos tomou uma decisão que, para ele, marcou o fim daquele período de insegurança: devolver o cartão do Mais Social.

“Conversamos e entendemos que continuar recebendo seria injusto. Hoje existem pessoas que precisam mais do que nós. O programa nos ajudou muito, mas agora conseguimos seguir sozinhos”, conta.

A carteira de trabalho que Marcos guarda com cuidado tornou-se, assim, símbolo de uma travessia entre a perda do emprego e a recuperação da autonomia.

A experiência da família traduz uma das diretrizes defendidas pela gestão do governador Eduardo Riedel (Progressistas), candidato à reeleição: manter a assistência social como proteção nos momentos de maior vulnerabilidade, mas combiná-la com ações que ampliem as possibilidades de emprego, renda e independência das famílias.

Desde 2023, 28,4 mil sul-mato-grossenses deixaram o Mais Social depois de melhorar suas condições de vida. O dado mostra uma dimensão da política pública que vai além da concessão do benefício: a tentativa de criar condições para que parte dos atendidos possa, quando possível, deixar de depender dele.

“O papel do Estado é estar presente quando a família mais precisa, mas também criar condições para que ela conquiste autonomia. Em Mato Grosso do Sul, a política social caminha junto com educação, qualificação e geração de emprego, porque é assim que a gente muda a vida das pessoas de forma concreta”, afirma Riedel.

Proteção ligada a outras oportunidades

A estratégia reúne diferentes políticas voltadas a famílias de baixa renda. Mães solo atendidas pelo Mais Social recebem apoio para manter os filhos em segurança enquanto trabalham.

Pessoas que retomam os estudos podem acessar incentivos financeiros. Pelo MS Supera, estudantes de baixa renda recebem auxílio para permanecer na universidade ou em cursos técnicos.

A intenção é fazer com que a proteção de renda esteja conectada a outras possibilidades de mudança na vida familiar, especialmente educação e acesso ao trabalho.

Os indicadores estaduais apontam avanços nesse período.

Nos últimos quatro anos, Mato Grosso do Sul reduziu a extrema pobreza em 60%, passando de 4% para 1,6% da população, o que representa mais de 40 mil pessoas saindo das condições mais precárias de vida. Entre 2024 e 2026, 44,6 mil pessoas saíram da situação de pobreza e mais de 44 mil famílias deixaram a situação de insegurança alimentar.

O mercado de trabalho é parte dessa equação. Com taxa de desocupação de 2,4%, Mato Grosso do Sul registra a segunda menor do Brasil e a menor de sua série histórica. Para o governo estadual, a combinação entre crescimento econômico, políticas de proteção e ampliação das oportunidades de emprego cria condições para que mais famílias avancem em direção à autonomia.

Na estratégia conduzida por Riedel, a assistência social é apresentada como parte de uma política mais ampla de desenvolvimento, articulada à educação, à qualificação profissional e à geração de renda.

A trajetória de Marcos mostra como essa combinação pode aparecer na vida cotidiana. O benefício garantiu proteção quando o emprego desapareceu; a qualificação abriu uma alternativa de renda; e a volta ao mercado de trabalho permitiu que a família deixasse o programa.

Para quem já viveu a incerteza de não saber como garantir o alimento dentro de casa, melhorar de vida não se resume ao aumento da renda. Significa recuperar segurança, voltar a fazer planos e imaginar outras possibilidades para os filhos.

Foi isso que a devolução do cartão representou para Marcos. Não uma ruptura com uma política pública, mas o encerramento de uma etapa em que o apoio foi necessário — e a possibilidade, depois dela, de seguir adiante com a própria renda.