Justiça
Tremor de mãos e envelope secreto: as reações de André Mendonça no julgamento no STF
A sessão plenária foi interrompida e deve ser retomada às 14h
BATANEWS/VEJA
O Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) se transformou nesta terça-feira em um verdadeiro jogo de xadrez em que magistrados tentam antever os movimentos da ala oposta no julgamento que pode selar o destino do ministro Alexandre de Moraes, apontado em um relatório da Polícia Federal como interlocutor privilegiado do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, protagonista da maior fraude bancária da história do país.
O alvo preferencial da primeira parte da Plenária de hoje não foi exatamente Moraes, mas André Mendonça, relator dos inquéritos mais sensíveis em tramitação na Corte – os que tratam dos escândalos do Banco Master e das fraudes contra aposentados do INSS. Não que Mendonça não soubesse que sua cabeça estava a prêmio, mas movimentos captados fora da transmissão das câmeras e acompanhados por VEJA demonstram o estado de nervos dos dez ministros naquele que já é considerado um julgamento histórico.
Alexandre de Moraes e André Mendonça não se cumprimentaram e sequer trocaram olhares, apesar de sentarem lado a lado na composição de Corte. De perfil mercurial e afeito ao confronto (resultado dos tempos em que integrava os quadros do Ministério Público), Moraes disse que traria testemunhas para comprovar a tese de que ele supostamente teria exigido um anexo específico sobre as traficâncias do magistrado junto ao Banco Master – um deles é um advogado, antigo integrante da banca de defesa do executivo – e afirmou que o colega de toga “está a serviço de um grupo político que tentou dar um golpe no país”. Àquela altura, Mendonça reagia aos gritos de “mentira” e afirmou que “temos hoje uma Polícia Federal paralela”, em referência às convicções que tem de ter sido monitorado clandestinamente pela corporação.
Irritado, André Mendonça deixou o plenário logo na sequência, às 12h36, para voltar minutos depois, momento em que o decano Gilmar Mendes o acusava de ter adotado métodos mafiosos para fechar o cerco contra Moraes. Até aquele momento, o Plenário se voltava exclusivamente a uma questão de ordem – se diferentes investigações devem ser reunidas e um novo relator sorteado – mas se afastavam do essencial: as explicações exigidas de Alexandre de Moraes sobre as 52 mensagens que a PF aponta que ele recebeu de Vorcaro.
O raio-x dos ministros do STF
De volta ao assento, Mendonça ensaiava reagir e pegava o microfone. Ainda não reagiu de fato, mas prometeu revelações na segunda metade do julgamento. “Depois vou dizer como recebi esse material”, bradou, balançando um envelope pardo na mão. Experiente, Gilmar Mendes não permitiu a ofensiva. “Vossa Excelência não tem a palavra e vai ouvir tranquilo”.
Neste momento, André Mendonça tremou – literalmente. Com as mãos incontroláveis, tentava disfarçar ao tocar o microfone. E rebateu a Mendes: “Vossa Excelência não está falando com qualquer um”. “Em nome de Deus já se fez muita patifaria”, continuou o decano na maior trocação até o momento. A sessão plenária foi interrompida e deve ser retomada às 14 horas.






