Eucalipto para biomassa ganha espaço como alternativa de renda em áreas de menor aptidão agrícola

Estudo da Consultoria Agro Itaú BBA estima receita de R$ 104 mil por hectare em dois cortes ao longo de 13 anos, sob as premissas analisadas.Compartilhe: Compartilhar no Facebook(abre em nova janela) Facebook Compartilhar no WhatsApp(abre em nova janela) WhatsApp Compartilhar no LinkedIn(abre em nova janela) LinkedIn Compartilhar no Telegram(abre em nova janela) Telegram

BATANEWS/OPR


Foto: Divulgação

O avanço da indústria de etanol de milho pode abrir uma nova frente de mercado para produtores interessados no cultivo de eucalipto destinado à produção de biomassa. A avaliação da Consultoria Agro Itaú BBA aponta que a cultura pode ser uma alternativa para áreas de menor aptidão agrícola, especialmente próximas aos polos consumidores.

Em uma simulação realizada para Mato Grosso, o estudo considerou um projeto com dois cortes ao longo de 13 anos. As premissas utilizadas incluem produtividade de 280 metros cúbicos por hectare no primeiro corte, aos sete anos, e 240 metros cúbicos no segundo, aos 13 anos. O preço de referência da madeira foi de R$ 200 por metro cúbico.

Nesse cenário, a receita acumulada chega a R$ 104 mil por hectare, enquanto o lucro total estimado alcança aproximadamente R$ 54,4 mil por hectare. A geração média corresponde a cerca de R$ 4,2 mil por hectare ao ano. O estudo também calcula um Valor Presente Líquido (VPL) de R$ 4,3 mil por hectare e uma Taxa Interna de Retorno (TIR) de 17% ao ano, considerando taxa mínima de atratividade de 14%.

Na comparação utilizada pelo Itaú BBA, o retorno anualizado equivale a aproximadamente 30 sacas de soja por hectare por ano, considerando o preço de referência adotado no estudo. No primeiro corte, a rentabilidade anualizada varia entre 28 e 33 sacas de soja por hectare, conforme a produtividade considerada.

Apesar dos números, o estudo ressalta que a rentabilidade depende de fatores como produtividade, preço da madeira e custo do capital. Na simulação, por exemplo, com taxa de desconto de 14% ao ano, o VPL se torna negativo quando o preço da madeira se aproxima de R$ 175 por metro cúbico.

A localização também pesa na conta. O transporte da madeira pode comprometer a competitividade quando as distâncias entre as florestas e as usinas são elevadas. Por isso, produtores próximos aos polos industriais podem ter vantagem logística e maior possibilidade de integração à cadeia regional de fornecimento.

O ciclo produtivo mais longo exige planejamento. O primeiro corte ocorre normalmente entre seis e sete anos, enquanto o manejo para um segundo corte pode estender o projeto para 13 ou 14 anos. O estudo aponta ainda a importância de contratos que ofereçam maior previsibilidade de demanda e preços para reduzir os riscos de projetos florestais de longo prazo.

Assim, o eucalipto aparece no levantamento como uma possibilidade de diversificação para propriedades com áreas menos adequadas às lavouras anuais, ao mesmo tempo em que pode contribuir para ampliar a oferta de biomassa destinada à agroindústria. As estimativas, contudo, dependem das condições de mercado e das premissas utilizadas no estudo.