Após nova pesquisa Datafolha, cientista político vê movimento que pode favorecer Flávio

Professor vê escolhas consolidadas entre eleitores dos dois líderes e considera pouco provável uma vitória no primeiro turno

BATANEWS/VEJA


A possibilidade de voto útil entre eleitores de candidaturas menores ainda pode favorecer Flávio Bolsonaro na reta final, mas convive com uma forte consolidação das escolhas de quem já apoia o candidato e Lula. Essa é a avaliação do cientista político Rodrigo Prando, professor do Mackenzie, que comentou a nova pesquisa Datafolha no programa Ponto de Vista, apresentado por Laísa Dall’Agnol. Para ele, o cenário permanece “absolutamente indefinido” (este texto é um resumo do vídeo acima).

De onde poderiam vir os votos para Flávio?

Prando apontou a possibilidade de migração de eleitores de Ronaldo Caiado, Romeu Zema e de parte dos apoiadores de Augusto Cury para Flávio. Também mencionou Renan Santos, embora considere mais difícil um deslocamento de votos desse candidato. Na avaliação do professor, esse movimento pode ocorrer tanto na reta final do primeiro turno quanto em uma eventual segunda etapa.

Lula x Flávio: surpresas e reviravoltas da corrida eleitoral

O cientista político contrapôs essa possibilidade à consolidação das preferências entre os eleitores dos dois líderes. Segundo ele, a proximidade da votação reduz o espaço dos indecisos e torna as escolhas mais resistentes a mudanças, mesmo diante de escândalos ou novos acontecimentos na campanha.

O que mostra a nova pesquisa Datafolha?

No primeiro turno, Lula aparece com 42% das intenções de voto e Flávio, com 38%. Os dois avançaram dois pontos percentuais em relação à rodada anterior e mantiveram a distância de quatro pontos entre si. O resultado configura empate técnico no limite da margem de erro, de dois pontos para mais ou para menos.

Augusto Cury tem 4%, seguido por Ronaldo Caiado e Renan Santos, ambos com 3%. Romeu Zema e Samara Martins registram 1% cada. Brancos, nulos e entrevistados que afirmam não votar em nenhum candidato somam 5%, enquanto os indecisos são 2%.

Na simulação de segundo turno, Lula passou de 47% para 48%, e Flávio permaneceu com 45%. Os dois também estão em empate técnico nesse cenário. Brancos, nulos e eleitores que não escolheriam nenhum dos candidatos representam 6%; os indecisos, 1%. O Datafolha ouviu 2.506 eleitores entre 28 e 30 de setembro, com nível de confiança de 95%.

A eleição pode terminar no primeiro turno?

Prando reconheceu que há analistas que trabalham com a possibilidade de uma vitória de Lula ou Flávio já na primeira votação, mas considera esse desfecho pouco provável. “Eu vislumbro um segundo turno disputado, apertadíssimo”, afirmou.

Ao comentar a oscilação de Lula no segundo turno, o professor avaliou que anúncios e ações do governo, além da circulação da fake news sobre Nossa Senhora Aparecida, podem ter contribuído para a vantagem numérica do presidente. Para Prando, porém, esse movimento não elimina a possibilidade de Flávio receber votos de outros candidatos.

A leitura do cientista político é de uma eleição que pode permanecer aberta até a conclusão da apuração. Com menos indecisos e preferências cada vez mais consolidadas, ele prevê uma disputa apertada até o momento em que o Tribunal Superior Eleitoral anunciar quem está matematicamente eleito.