Policial
Tensão nos camarins e imprensa surpresa: os bastidores do debate cancelado da Globo
Repórter de VEJA relata clima nos estúdios após anúncio; presidenciáveis presentes criticaram decisões judiciais e as ausências de Lula e Flávio Bolsonaro
BATANEWS/VEJA
Os candidatos já estavam nos camarins e jornalistas brasileiros e estrangeiros aguardavam em uma sala separada quando receberam a notícia de que o debate presidencial da Globo, marcado para a noite de quinta, 1, havia sido cancelado. O anúncio surpreendeu quem estava nos estúdios, segundo a repórter de VEJA Rayssa Motta, que acompanhou a movimentação no local. Em entrevista a Laísa Dall’Agnol no programa Ponto de Vista, ela relatou a tentativa de reorganizar as entrevistas e as críticas dos presidenciáveis às decisões judiciais e às ausências de Lula e Flávio Bolsonaro (este texto é um resumo do vídeo acima).
Como a notícia chegou aos estúdios?
“Todo mundo foi pego de surpresa”, afirmou Rayssa. Além dos candidatos nos camarins, havia integrantes das comitivas em uma área reservada e profissionais da imprensa que tinham viajado ao Rio de Janeiro para acompanhar o último debate antes do primeiro turno. Ronaldo Caiado, segundo a repórter, havia chegado com três horas de antecedência.
Após o anúncio, jornalistas procuraram as assessorias para saber se os candidatos ainda falariam à imprensa. Estavam previstas entrevistas individuais de quinze minutos depois do debate, mas o cancelamento deixou dúvidas sobre a manutenção desse formato. “Ficou um clima de tensão”, relatou Rayssa. A emissora acabou permitindo as conversas, com tempo reduzido.
Lula x Flávio: surpresas e reviravoltas da corrida eleitoral
Por que a Globo cancelou o debate?
A Globo alegou insegurança jurídica após receber duas decisões pouco antes do encontro. Uma delas, do TSE, proibiu a exibição do púlpito vazio com o nome de Lula e perguntas dirigidas ao presidente pelos candidatos presentes. A outra, do ministro Gilmar Mendes, do STF, determinou a inclusão de Renan Santos, do Missão.
Rayssa explicou que os partidos haviam concordado previamente com a exibição do púlpito dos ausentes e com um tempo para perguntas destinadas a eles. A composição do debate também já havia mudado naquela semana, após uma decisão que assegurou a participação de Romeu Zema. Apesar dessas alterações, disse a repórter, ninguém esperava que o encontro fosse cancelado.
Como os candidatos reagiram?
De acordo com a repórter, os presidenciáveis presentes concentraram suas críticas nas intervenções judiciais. Por estarem atrás dos líderes nas pesquisas, contavam com a exposição do debate. Segundo a repórter, classificaram as decisões que antecederam o cancelamento como um atentado à democracia.
Os candidatos também criticaram Lula e Flávio por não comparecerem. “Disseram que os dois se acovardaram por não participar”, relatou Rayssa. Lula havia comunicado sua ausência na quarta-feira. Flávio, que confirmara presença, desistiu horas antes do horário previsto e chamou de censura a proibição de mostrar o púlpito vazio e formular perguntas ao presidente.
A desistência de Flávio ocorreu enquanto apoiadores o aguardavam na entrada dos estúdios. Lula, por sua vez, havia criticado o formato dos debates com muitos participantes, afirmando que o pouco tempo de fala prejudica a apresentação de propostas e favorece ataques e tentativas de ganhar visibilidade.
No horário em que deveriam estar no debate, os dois líderes da disputa fizeram transmissões separadas nas redes sociais. Para Rayssa, a cena resumiu uma campanha com poucos confrontos diretos e pouca discussão de propostas: enquanto os demais candidatos buscavam a exposição do encontro, Lula e Flávio falaram individualmente aos seus públicos.



