Técnicos do São Paulo acumulam críticas ao CT e à estrutura do clube

Crespo, Ceni e agora Dorival cobraram melhorias em campos, instalações e condições de trabalho

BATANEWS/GE


CT da Barra Funda se tornou alvo de críticas dos treinadores — Foto: Reprodução/São Paulo

Dorival Júnior voltou a expor um problema recorrente na estrutura do São Paulo. Depois da vitória sobre o Vitória, o treinador reclamou dos campos do CT da Barra Funda e afirmou que as condições dos três gramados do complexo contribuem para as lesões na equipe.

Inaugurado em 1988, o CT da Barra Funda já foi referência no futebol brasileiro por sua modernidade. Nos últimos anos, porém, a estrutura virou alvo recorrente de críticas públicas de treinadores.

Em 2021, em sua primeira passagem pelo clube, Hernán Crespo criticou a estrutura oferecida aos jogadores e cobrou melhorias. Naquela temporada, o São Paulo registrou mais de 30 lesões.

– É uma situação que vou conviver por muito tempo. Se chegamos a 33 lesões, quero dizer que estamos em um momento de reconstrução. Com certeza vamos tomar decisões no futuro para mudar, construir. Não só a nível técnico, mas de estrutura – disse o argentino.

– Não vai acontecer hoje, porque há muito tempo o São Paulo precisa melhorar essa estrutura.

No ano seguinte, Rogério Ceni também desabafou sobre as condições do CT. O ídolo do clube fez duras críticas à organização e à infraestrutura do complexo.

– Eu conheço os porteiros que estão no CT há 20 anos, os seguranças, pessoal da cozinha, trato todo mundo bem, faço o melhor por todos. Agora, tem departamentos que a gente precisa melhorar mesmo. Quando cheguei, não tinha água na piscina, só mesas e cadeiras. Então, eu sou o chato que pediu para colocar água na piscina – disse o treinador em fevereiro de 2022.

Na época, as declarações geraram desgaste interno. Ceni afirmou que suas cobranças tinham como objetivo melhorar as condições de trabalho e a recuperação dos atletas.

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– O clube atravessa problemas sérios. Penso em gerar o que há de melhor pro clube, tentar fazer com que o atleta fique até mais tarde, disponibilizar condições para que o atleta volte mais rápido pro campo. Talvez eu incomode um pouco esses departamentos. Eu acho que é uma coisa pro bem do clube, mas entendo que uma pessoa ou outra possa se sentir insatisfeita.

As reclamações, porém, não se restringiram ao CT da Barra Funda. Em janeiro deste ano, já em sua segunda passagem pelo clube, Crespo demonstrou insatisfação com as condições do CT de Cotia, onde o elenco realizou parte da pré-temporada.

Gramados esburacados e instalações danificadas fizeram a equipe permanecer apenas três dias no complexo e antecipar o retorno à Barra Funda, onde concluiu a preparação. As condições encontradas desagradaram ao treinador e a lideranças do elenco.

Agora, Dorival Júnior também tornou pública a insatisfação com a estrutura do clube. O treinador subiu o tom ao afirmar que nenhum dos três gramados disponíveis oferece condições adequadas de treino e relacionou o problema ao número de lesões no elenco. Atualmente, seis jogadores estão no departamento médico do clube.

– Hoje temos três campos e nenhum deles em condições de estarmos em cima desse campo. Estamos improvisando de toda maneira para dar sequência aos treinamentos. Na minha opinião, vêm acontecendo algumas lesões até em relação a isso, o que vem sobrecarregando o trabalho. Pisos muito duros, outros muito molhados, alguns jogadores perdendo aceleração, frenagem e, de repente, provocando lesões.

Depois da Copa do Mundo, o campo principal do CT da Barra Funda precisou passar por reparos. Dos outros dois gramados disponíveis, um havia sido reformado recentemente e ainda exigia cuidados para evitar sobrecarga.

Com isso, a maior parte dos treinamentos passou a ser realizada no terceiro campo, que apresenta maior desgaste e gera preocupação interna pelo risco de lesões aos jogadores.

O São Paulo considera que dois dos três gramados estão à disposição dos atletas e da comissão técnica. O clube vê também como um acerto a utilização da grama do Morumbis no CT da Barra Funda, concretizada neste ano. Depois da troca do gramado, ainda foi realizada uma recuperação do local por causa do desgaste pelo uso frequente.

O campo principal, que tem um arquibancada, será liberado para uso até o fim de outubro. O São Paulo detectou um excesso de irrigação que, aliado às frequentes chuvas da cidade, atrapalhou as condições do gramado.