TSE discute restringir propaganda eleitoral em grupos de WhatsApp na reta final da eleição

Gabinete de André Mendonça afirma que ministros concordaram em discutir regras para proteger o pleito; minuta ainda está em análise

BATANEWS/VEJA


O ministro André Mendonça, durante sessão do TSE (Luiz Roberto/TSE)

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) discute a possibilidade de estabelecer regras para a circulação de propaganda eleitoral em canais de grande alcance nas horas próximas à votação. Em nota enviada a VEJA nesta quarta-feira, 21, o gabinete do ministro André Mendonça afirmou que o tema foi debatido em duas reuniões entre os integrantes da Corte, realizadas na sexta-feira, 16, e na terça-feira, 20.

A manifestação foi divulgada após ser revelada uma possível iniciativa do ministro Kassio Nunes Marques para restringir a propaganda eleitoral em canais de WhatsApp com grande número de participantes nas 48 horas anteriores à votação.

A discussão ocorre em meio à disputa digital entre os canais de WhatsApp “Exército do Lula” e “Tropa do Flávio”, liderados, respectivamente, pelos deputados André Janones (Rede-MG) e Nikolas Ferreira (PL-MG). Os dois canais ganharam relevância na mobilização das campanhas no segundo turno, acompanhada por um aumento expressivo no engajamento dos parlamentares nas redes sociais.

Na nota, o gabinete de Mendonça afirma que houve consenso entre os ministros sobre a necessidade de tratar do assunto e que, por decisão conjunta, coube a ele, vice-presidente do TSE, elaborar uma minuta para avaliação dos demais integrantes do tribunal. O texto, segundo o gabinete, permanece em discussão interna e qualquer versão final dependerá de deliberação colegiada. “A minuta não é uma iniciativa individual. A necessidade de sua elaboração parte de um entendimento construído em conjunto”, afirma a nota.

O gabinete também explica que, por tradição, cabe ao vice-presidente redigir atos normativos que serão apreciados pelo colegiado. A atribuição, portanto, teria sido delegada a Mendonça em razão da função que ocupa na Corte.

Segundo o comunicado, o objetivo em discussão é proteger a integridade do processo eleitoral nas horas que antecedem e sucedem a votação, período em que, de acordo com o gabinete, não haveria tempo hábil para responder à circulação de conteúdos ilícitos ou corrigi-los.

A nota acrescenta que os critérios em análise seriam “objetivos e impessoais” e se aplicariam igualmente a canais de natureza político-eleitoral de grande alcance, independentemente do candidato, partido ou orientação política.

O gabinete, contudo, não detalhou quais medidas estão previstas na minuta nem confirmou um calendário para sua votação. Também não informou se a proposta contemplará especificamente grupos de WhatsApp ou se abrangerá outros canais digitais de grande alcance. A eventual mudança nas regras eleitorais ocorre a poucos dias da votação e pode afetar a forma como campanhas e apoiadores divulgam conteúdos políticos em aplicativos de mensagens. Até que haja deliberação do TSE e divulgação do texto final, porém, o alcance das possíveis restrições permanece indefinido.