Muito além dos caminhões: como alta do diesel impacta setor agrícola

Riscos na oferta mundial de petróleo pressionam preços dos combustíveis e, consequentemente, afetam diversos segmentos da economia brasileira

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Alta no diesel afeta setor agrícola desde o início de sua cadeia (Jaelson Lucas/AEN/Divulgação)

O preço do diesel está no centro dos holofotes brasileiros. Essencial para o transporte de cargas, a alta no combustível pode se refletir também em outros setores importantes do país, como a agricultura e a mineração. O movimento é decorrente da escalada das tensões geopolíticas no Oriente Médio. O conflito bélico entre Estados Unidos, Israel e Irã fez com que o Estreito de Ormuz, por onde escoa 20% do óleo e gás transportados por via marítima no mundo, fosse fechado, gerando dificuldade de circulação e riscos na oferta de petróleo.

Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) apontam que o preço médio do litro do diesel nos postos de combustíveis do país já subiu mais de 11% em uma semana: de 6,08 reais para 6,80 reais. Além dos impactos diretos nos bolsos dos motoristas, esse avanço afeta diretamente todos os segmentos da economia que utilizam máquinas pesadas, caminhões fora-de-estrada e geradores de energia, que também são abastecidos pelo óleo. A mineração brasileira, por exemplo, gasta 60% de suas emissões de gás carbônico com esses equipamentos, de acordo com um inventário realizado pelo Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram).

Já o setor agrícola é impactado desde o início da sua cadeia. A economista Fernanda Mansano explica a VEJA que a situação pode ser ainda mais grave devido ao fato de que o Brasil está em momento de colheita de suas principais culturas, como soja, milho e feijão. “A valorização do diesel afeta primeiro as máquinas agrícolas usadas na colheita, mas logo avança para os transportes rodoviários, responsáveis por levarem os grãos às cooperativas”, afirma.

Após a industrialização dos alimentos há mais transportes até o supermercado. Todos esses fatores podem desembocar em uma alta inflacionária no curto prazo, já que parte do aumento dos preços deverá ser repassado aos consumidores finais desses produtos. É por isso que esse cenário permanece no radar do Banco Central, especialmente em um momento de discussão sobre os rumos da política monetária. 

Agora, o governo federal corre contra o tempo para evitar uma crise desencadeada pelo diesel. Entre as medidas propostas está a de isentar de impostos federais as produtoras e importadoras de diesel e as oferecer uma “ajuda de custo”. A previsão é gastar 30 bilhões de reais para reduzir em 0,64 real por litro o preço na bomba. Em contrapartida, será aplicado um imposto sobre a exportação de petróleo.