Do Mutirão ao Arado: Como era o trabalho na roça entre as décadas de 1960 e 1980

BATANEWS/REDAçãO


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Durante as décadas de 1960, 1970 e até meados dos anos 1980, a vida no campo era marcada pelo trabalho árduo, pela união entre vizinhos e pela utilização de métodos tradicionais que hoje fazem parte da história da agricultura brasileira. Antes da chegada em larga escala das máquinas modernas, a produção rural dependia principalmente da força humana e animal, exigindo dedicação de toda a família.

Naquela época, era comum ver agricultores preparando a terra com arados puxados por bois ou cavalos. O plantio era realizado manualmente, com sementes lançadas à mão ou depositadas em pequenos sulcos abertos com enxadas. O trabalho começava ainda de madrugada e seguia até o final da tarde, muitas vezes sob sol intenso.

Um dos costumes mais marcantes era o mutirão, conhecido em algumas regiões como "traição" ou "ajutório". Vizinhos e amigos se reuniam para ajudar uma família em tarefas que exigiam grande quantidade de mão de obra, como derrubada de mato, capina, plantio ou colheita. Em troca, o beneficiado retribuía o auxílio em outra oportunidade, fortalecendo os laços de amizade e solidariedade no campo.

A colheita também era feita praticamente toda de forma manual. Milho, feijão, arroz, algodão e outras culturas eram colhidos por trabalhadores que passavam dias inteiros nas lavouras. Após a colheita, muitos produtos eram beneficiados em pequenas estruturas rurais ou transportados para cooperativas e cerealistas da região.

Outro serviço comum era a formação de pastagens. Com ferramentas simples, agricultores derrubavam a vegetação, faziam a limpeza do terreno e plantavam sementes de capim para a criação de gado. O transporte da produção e dos insumos era realizado por carroças, charretes, caminhões antigos ou até mesmo em lombos de animais.

Nas propriedades rurais, quase tudo era produzido pela própria família. Hortas, pomares, criação de galinhas, porcos e vacas leiteiras garantiam a alimentação dos moradores. O leite era ordenhado manualmente, enquanto a fabricação de queijo, manteiga e outros derivados fazia parte da rotina diária.

Até meados da década de 1980, a energia elétrica ainda não havia chegado a muitas comunidades rurais. Lampiões, lamparinas e fogões a lenha eram itens indispensáveis nas residências. As ferramentas mais utilizadas eram enxadas, foices, machados, facões e serras manuais, equipamentos que exigiam esforço físico constante.

A modernização da agricultura, com a chegada de tratores, colheitadeiras, implementos agrícolas e novas tecnologias, transformou profundamente a realidade do campo. No entanto, a história dos trabalhadores rurais que construíram suas vidas utilizando métodos tradicionais permanece viva na memória de milhares de famílias.

Esses homens e mulheres enfrentaram desafios diários, abriram estradas, formaram comunidades, desenvolveram propriedades e contribuíram decisivamente para o crescimento da agricultura brasileira. Mais do que uma forma de trabalho, a vida na roça naquele período representava valores como união, respeito, perseverança e amor à terra.