Cotidiano
Batayporã: Manoel Leite Clementino, o prefeito que ajudou a transformar uma promessa em realidade
BATANEWS/NEY OLEGáRIO
Fundado oficialmente em 12 de novembro de 1963, o município de Batayporã ainda dava seus primeiros passos quando recebeu seu primeiro administrador, Diego Sanches Marchi, nomeado em 1965 pela extinta União Democrática Nacional (UDN). No entanto, foi a partir de 31 de janeiro de 1967, com a posse do segundo prefeito da história do município, Manoel Leite Clementino, que Batayporã começou a consolidar seu processo de desenvolvimento.
Eleito pelo Partido Social Democrático (PSD), Manoel Leite governou até 30 de janeiro de 1970. Ao seu lado estiveram o vice-prefeito Pedro Liberato da Rocha e sua esposa, a primeira-dama Nativa de Vasconcelos Leite, que sempre o acompanhou e apoiou em sua trajetória pública.
O prefeito dos primeiros desafios

Administrar um município recém-emancipado era uma missão para poucos. Batayporã possuía uma arrecadação extremamente limitada, infraestrutura precária e inúmeras necessidades. Mesmo diante dessas dificuldades, Manoel Leite Clementino ficou conhecido como um gestor determinado, que não media esforços para fazer a cidade avançar.
Relatos históricos apontam que, em diversas ocasiões, ele utilizava recursos próprios para adquirir equipamentos e garantir a continuidade de obras e serviços essenciais, demonstrando um compromisso incomum com o futuro do município.
Embora tenha dado sequência a projetos iniciados por seu antecessor, foi durante sua administração que Batayporã começou a ganhar estrutura, abrindo caminho para o crescimento que viria nas décadas seguintes.
Uma cidade que nasceu da esperança

Em depoimento exclusivo concedido ao Portal Bata News, sua filha Fátima Leite, atualmente residente em Brasília (DF) e leitora assídua do portal, relembrou momentos marcantes da história do pai e do município.
Segundo ela, Batayporã era, naquela época, apenas um pequeno povoado. Havia poucas casas e, diariamente, chegavam famílias, principalmente do interior de São Paulo, para adquirir terras da Companhia Viação São Paulo-Mato Grosso, responsável pela colonização da região. Com o trabalho dos pioneiros, o povoado cresceu e, aos poucos, transformou-se na cidade estruturada que Batayporã representa hoje.
Um desbravador que ajudou a construir Batayporã

Existem histórias que o tempo jamais consegue apagar. A trajetória de Manoel Leite Clementino é uma delas. Sua contribuição foi muito além da administração pública.
Segundo relato de sua filha, uma das obras mais comentadas da época foi a abertura da estrada que saía de Batayporã, passava pela Fazenda Primavera e seguia em direção ao Rio Paraná, facilitando o deslocamento e contribuindo para o desenvolvimento da região.
Foi também durante sua gestão que a Prefeitura adquiriu importantes máquinas para execução de obras públicas, entre elas uma máquina escavadora, um trator de esteira e uma máquina niveladora de terrenos, equipamentos fundamentais para a abertura e manutenção de estradas e demais serviços de infraestrutura em um município que ainda estava sendo construído.
Na área da educação, os desafios eram enormes. Quando Manoel Leite assumiu a Prefeitura, Batayporã possuía apenas uma escola de madeira e outra de alvenaria. Durante sua administração, novas escolas foram construídas e o município passou a oferecer ensino além da quarta série, ampliando o acesso à educação para as crianças da cidade.
Outra conquista lembrada por Fátima foi a chegada dos primeiros professores formados para lecionar em Batayporã. A contratação desses profissionais representou um importante avanço para a educação do município, contribuindo para ampliar a oferta de ensino e elevar a qualidade da educação em uma cidade que ainda dava seus primeiros passos.
Entre as obras realizadas durante sua administração também está a construção do muro do Cemitério Municipal, estrutura que trouxe mais organização ao espaço e permanece como parte da história da cidade.
Na área da saúde, Manoel Leite também demonstrava um envolvimento que ia muito além das responsabilidades do cargo. Fátima recorda que era comum ver o pai utilizar seu próprio veículo para transportar doentes até Nova Andradina. Quando o atendimento necessário não estava disponível, ele seguia viagem levando os pacientes até Presidente Prudente (SP), garantindo que recebessem tratamento médico adequado.
Outra importante contribuição de sua gestão foi a participação no início da construção do antigo Hospital São Lucas, obra realizada com o esforço conjunto da comunidade. Naquele período, moradores, comerciantes e lideranças locais uniram forças para transformar o sonho do hospital em realidade, e Manoel Leite esteve presente como prefeito e também como cidadão, colaborando diretamente para que o projeto saísse do papel.
Foi ainda durante sua administração que Batayporã recebeu um dos maiores símbolos do progresso, a chegada da energia elétrica, um marco que mudou completamente a rotina da população e abriu caminho para novos investimentos e para o crescimento econômico do município.
Uma cidade pequena, mas cheia de sonhos

Não existem registros oficiais precisos sobre a população de Batayporã em 1966, uma vez que o Censo Demográfico do IBGE mais próximo foi realizado apenas em 1970. Entretanto, estimativas históricas indicam que o município possuía entre 1.500 e 3.000 habitantes, somando a área urbana e rural. Era uma cidade pequena, formada por famílias pioneiras que enfrentavam inúmeras dificuldades, mas que compartilhavam o mesmo objetivo: construir uma comunidade próspera para as futuras gerações.
Foi nesse cenário que Manoel Leite exerceu seu mandato, tomando decisões que ajudaram a estruturar um município que ainda estava literalmente sendo construído.
A origem de Batayporã
O surgimento de Batayporã está diretamente ligado ao empresário tchecoslovaco Jan Antonín Baťa, proprietário da Companhia Viação São Paulo-Mato Grosso. Visionário, ele idealizou projetos de colonização que deram origem a diversos municípios brasileiros.
Durante a década de 1950, a região recebeu intenso fluxo migratório, principalmente de famílias vindas do Oeste Paulista e de outras partes do Brasil, atraídas pela oferta de terras férteis e pelas oportunidades proporcionadas pela colonização.
Em 1953, Batayporã foi elevada à categoria de distrito. Cinco anos depois, em 1958, Nova Andradina conquistou sua emancipação de Bataguassu, passando Batayporã a integrar administrativamente o novo município.
Entretanto, lideranças locais defendiam que Batayporã possuía identidade e potencial suficientes para caminhar com autonomia. Assim nasceu o movimento emancipacionista que culminou, em 1963, com a criação oficial do município.
Essa reconstrução histórica é baseada em relatos de moradores pioneiros, documentos oficiais, atas, leis e projetos preservados pelo Instituto Memória do Poder Legislativo da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, quando ainda não havia ocorrido a divisão do Estado, permitindo compreender o processo político e administrativo que deu origem a Batayporã.
Um legado que merece ser lembrado
Os grandes homens não são lembrados apenas pelos cargos que ocuparam, mas pelas marcas que deixaram. Manoel Leite Clementino pertence ao grupo dos pioneiros que acreditaram em Batayporã quando quase tudo ainda estava por ser feito. Governou um município de poucos recursos, enfrentou enormes desafios e ajudou a construir as bases da cidade que hoje ultrapassa seis décadas de história.
Atualmente existe em Batayporã a Rua Manoel Leite Clementino, localizada na Vila Maria Gonçalves. Apesar da homenagem, trata-se de uma via discreta, em formato de travessão entre outras ruas, o que faz com que seja pouco conhecida pelos moradores.
Na avaliação do Portal Bata News, o legado deixado por aquele que foi um dos principais responsáveis pelo início do desenvolvimento do município merece reconhecimento ainda maior. Seu nome faz parte da história de Batayporã e representa uma geração de homens e mulheres que transformaram uma simples promessa em uma cidade consolidada, contribuindo para escrever os primeiros capítulos da história do município.
*Credito de Fotos - Fatima Leite




