Justiça
PF indicia 16 por queda de avião da Voepass que matou 4 pessoas ligadas a MS
Investigação aponta falhas no sistema de degelo, problemas de manutenção e suposta omissão
BATANEWS/CGNEWS
A Polícia Federal indiciou 16 pessoas pela queda do avião da Voepass que matou 62 pessoas em agosto de 2024, em Vinhedo (SP). Entre as vítimas estavam quatro pessoas com ligação com Mato Grosso do Sul: o policial rodoviário federal Hiales Carpine Fodra, que trabalhou no Estado, a esposa dele, Daniela Schulz Fodra, a fisioterapeuta Kharine Gavlik Pessoa Zini, formada pela Uniderp, em Campo Grande, e Laiana Vasata, ligada à família Bigolin, grupo empresarial que atuou na Capital por três décadas.
Entre os indiciados estão o presidente da Voepass, José Luiz Felício Filho, o ex-diretor de operações Eric Cônsoli, além de profissionais das áreas de manutenção, despacho operacional e do CCO (Centro de Controle Operacional) da companhia.
Segundo a PF, 15 dos 16 investigados foram indiciados pelo artigo 261 do Código Penal, que trata de expor a perigo embarcação ou aeronave ou praticar ato que dificulte a navegação aérea. A pena prevista pode chegar a 12 anos de prisão. Um dos investigados também foi indiciado por falsidade ideológica.
A investigação apontou que a aeronave apresentou falhas no sistema de degelo em três voos anteriores ao acidente, mas os problemas não teriam sido registrados formalmente nos documentos de manutenção. Para a PF, a ausência desses registros contribuiu para que o avião continuasse operando mesmo diante de problemas.
O delegado André Ribeiro, responsável pela investigação, afirmou que a apuração identificou uma “cultura de omissão' dentro da empresa, com falhas que chegariam aos níveis de comando. Segundo ele, a aeronave teria sido exposta a risco em quatro voos naquele dia.
O avião, um ATR 72-500, fazia o trajeto entre Cascavel (PR) e Guarulhos (SP) quando perdeu o controle e caiu em um condomínio residencial de Vinhedo. Todas as 62 pessoas a bordo morreram.
Com o indiciamento concluído, o caso segue para análise do Ministério Público, que avaliará se apresenta denúncia à Justiça. Se a denúncia for aceita, os investigados passarão a responder a uma ação penal.



