Desafios e oportunidades para microrganismos na agricultura centraliza debates na Relare

Evento em Curitiba (PR) reúne cerca de 200 participantes nos dias 19 e 20 de agosto para discutir regulamentação, controle de qualidade, pesquisa e novas tecnologias em bioinsumos microbianos.

BATANEWS/OPR


Pesquisa com bioinsumos em casa de vegetação da Embrapa Soja - Foto: Antonio Neto

A importância dos microrganismos para a agricultura brasileira e mundial será tema da palestra da pesquisadora da Embrapa Mariangela Hungria, vencedora do World Food Prize 2025. A apresentação será realizada em 19 de agosto, às 09h15, durante a 22ª Reunião da Rede de Laboratórios para Recomendação, Padronização e Difusão de Tecnologias de Inoculantes Microbianos de Interesse Agrícola (Relare), no Centro de Eventos Sistema Fiep, em Curitiba (PR).

O encontro será realizado nos dias 19 e 20 de agosto e deve reunir aproximadamente 200 participantes, entre pesquisadores, representantes da comunidade acadêmica, órgãos de fiscalização, indústria e consultores.

A abertura oficial está programada para o dia 19 de agosto, às 08h15. Na sequência, Solon Cordeiro de Araújo, primeiro presidente da Associação Nacional de Promoção e Inovação da Indústria de Biológicos (ANPII-Bio), apresentará a evolução da Relare ao longo dos anos.

A programação concentra discussões sobre o uso de microrganismos benéficos na agricultura, com temas relacionados a protocolos de análise de qualidade, validação de produtos, regulamentação e desenvolvimento de novas tecnologias. A proposta é promover o intercâmbio de dados técnico-científicos relacionados ao uso de bioinsumos na produção agropecuária.

A Relare é promovida pela Embrapa, em parceria com a ANPII-Bio e a CropLife Brasil, com apoio do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia MicroAgro (INCT MicroAgro) e da Fundação Araucária.

A partir das 10h15, o evento terá um painel dedicado à legislação de bioinsumos no Brasil. Gutemberg Barone de Araújo Nojosa, do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), abrirá a discussão com uma apresentação sobre a regulamentação infralegal de bioinsumos.

Na sequência, Claudini Viera Deboni Caixeta, também do Mapa, abordará estações quarentenárias e quarentenas de bioinsumos. O painel será encerrado por Regina Melo Sartori Coelho, do ministério, com uma apresentação sobre regulamentação das metodologias de análise de bioinsumos.

No período da tarde, entre 13h30 e 15h30 o foco será o controle de qualidade. Danielle Pereira Cavalcanti, do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), falará sobre garantia da qualidade e padronização de metodologias.

Em seguida, Eduara Ferreira e Marco A. Nogueira, da Embrapa Soja, apresentarão resultados de ensaios de pesquisa interlaboratoriais. Orivaldo Saggin, da Embrapa Uva e Vinho, discutirá a normatização de inoculantes à base de fungos micorrízicos arbusculares. O painel será encerrado por Fabricia Cristina dos Reis, do Mapa, com um panorama da fiscalização de inoculantes.

A partir das 16 horas, a programação avançará para mercado, inovação e modelos de negócios. Larissa Plaisant Bonotto, da ANPII-Bio, apresentará uma análise do mercado brasileiro de bioinsumos sob a perspectiva da entidade. Na sequência, Amália Borsari, da CropLife Brasil, fará uma avaliação do mercado a partir da visão da associação.

Carina Gomes Rufino, chefe de Transferência de Tecnologias da Embrapa Soja, abordará a disponibilização de ativos biológicos desenvolvidos pela Embrapa. O primeiro dia será encerrado com Sérgio Bernardo, do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), que discutirá patenteabilidade e proteção intelectual de microrganismos e processos.

A programação de 20 de agosto começa às 08 horas com o painel “Aumentando a abrangência”. Ana Eugênia de Carvalho Campos, do Instituto Biológico, discutirá estirpes de microrganismos para biocontrole, com foco além das especificações de referência.

Fernanda Zanata, da Mosaic, apresentará o tema “Fertilizantes enriquecidos com microrganismos: uma nova categoria?”. Na sequência, Jerri Zilli, da Embrapa Agrobiologia, falará sobre microrganismos multifuncionais e o caminho entre o laboratório e o campo. Vanessa Lucas Xavier, da Anvisa e da Universidade de Brasília (UnB), encerrará o painel com uma apresentação sobre segurança sanitária de bioinsumos microbianos.

Entre 10 horas e 10h30 os participantes poderão visitar a sessão de pôsteres. Em seguida, o evento terá um painel sobre atualizações e perspectivas regulatórias.

Entre os temas está a indicação de estirpes ou cepas em bioinsumos, considerando as diferenças entre materiais autorizados, recomendados e especificações de referência. Mariangela Hungria também participará dessa etapa, com uma apresentação sobre a importância da implementação de sistemas de qualidade em bancos de germoplasma destinados a bioinsumos.

Maria Luiza Silveira, da CropLife Brasil, encerrará o painel com uma discussão sobre proteção de dados regulatórios e listas de ativos, com foco nas aplicações da Lei nº 10.603/2002 aos bioinsumos.

No início da tarde, das 13h30 às 14 horas, Marco Nogueira, da Embrapa Soja, apresentará a proposta de institucionalização da Relare. A discussão envolverá o estatuto da rede e sua possível atuação como órgão consultivo do Mapa.

Das 14 às 18, a programação será dedicada à apresentação de resultados de novas tecnologias e produtos. Na sequência, será realizada uma rodada de negócios, na qual pesquisadores inscritos poderão apresentar seus ativos a representantes da indústria.

Os inoculantes microbianos são formulações que contêm microrganismos benéficos utilizados para estimular o desenvolvimento das plantas ou auxiliar no controle de pragas e doenças.

Na soja, o principal exemplo é o uso de bactérias capazes de fornecer nitrogênio à cultura por meio da fixação biológica. Segundo os dados apresentados pela organização do evento, 85% da área cultivada com soja no Brasil utiliza insumos biológicos que substituem fertilizantes nitrogenados químicos.

Na última safra, essa substituição teria proporcionado uma economia de US$ 29 bilhões ao país. Do ponto de vista ambiental, a tecnologia teria evitado a emissão de quase 280 milhões de toneladas de CO₂ equivalente por ano, volume comparável à retirada de 60 milhões de carros de passeio de circulação.