Exportações de milho seguem 27,4% abaixo de 2025 em agosto

Atraso na colheita e resistência dos produtores aos preços limitam a oferta, enquanto compradores mantêm postura cautelosa no mercado interno.

BATANEWS/OPR


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As exportações brasileiras de milho ganharam ritmo em agosto, mas ainda estão abaixo do desempenho registrado no mesmo período de 2025. Nos cinco primeiros dias úteis deste mês, o Brasil embarcou 1,183 milhão de toneladas, com média diária de 236,7 mil toneladas. O ritmo é 27,4% inferior à média de agosto do ano passado, de 326,1 mil toneladas por dia.

Apesar da aceleração em relação a julho, o volume ainda não indica recuperação completa dos embarques. Em agosto de 2025, o país exportou 6,85 milhões de toneladas em 21 dias úteis. Se a média observada nos cinco primeiros dias deste mês fosse mantida até o fim de agosto, o volume chegaria a aproximadamente 4,97 milhões de toneladas. Trata-se de uma projeção simples, sujeita à programação dos portos e à contratação de novos embarques.

O mercado doméstico também apresenta baixa liquidez. Segundo o Cepea, compradores seguem cautelosos nas negociações e, embora parte deles esteja ativa, há resistência aos preços pedidos pelos produtores. Do lado da oferta, os vendedores limitam os volumes colocados no mercado, em parte pela demora no avanço da colheita da segunda safra.

A situação cria um descompasso entre compradores e vendedores. Consumidores buscam negócios em patamares mais baixos, enquanto produtores evitam ampliar as vendas diante da expectativa de que a entrada de novos lotes da safrinha aumente a disponibilidade de milho nas próximas semanas.

A produção maior reforça essa expectativa. No 11º levantamento da safra 2025/26, divulgado em agosto, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) elevou a estimativa da produção brasileira de milho para 142,95 milhões de toneladas. A segunda safra responde por 109,4 milhões de toneladas e continua como a principal fonte de oferta do cereal no segundo semestre.

Ao mesmo tempo, a exportação começa a disputar o milho disponível com o mercado interno. Dados divulgados nesta semana indicam que os embarques passaram a ganhar força em agosto justamente com o avanço da colheita da segunda safra. Essa demanda externa pode reduzir a disponibilidade em algumas regiões e limitar a pressão sobre os preços à medida que novos lotes chegam ao mercado.

O comportamento das exportações será, portanto, um dos fatores a acompanhar nas próximas semanas. Se os embarques acelerarem e absorverem parte relevante da produção, a pressão sobre os preços domésticos pode ser menor. Por outro lado, caso o ritmo permaneça abaixo do registrado em 2025, a maior oferta da segunda safra tende a aumentar a disputa entre vendedores e compradores.

Por enquanto, o mercado permanece marcado por negociações pontuais. Produtores restringem as ofertas e avaliam o momento de venda, enquanto consumidores evitam assumir posições maiores diante da expectativa de maior disponibilidade do cereal com o avanço da colheita.