Política
Lula x Flávio: Três motivos que tornam imprevisível essa eleição para presidente
Empate nas pesquisas, desdobramentos de escândalos e possibilidade de recorde de abstenção tornam o resultado difícil de antecipar
BATANEWS/VEJA
A pouco mais de um mês do primeiro turno, a eleição para presidente da República neste ano tem um clima de segundo turno antecipado, com as intenções de voto concentradas entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), mas ainda sem tendência clara de que lado pende a balança.
Ao menos três fatores ajudam a explicar por que a disputa pode permanecer aberta até outubro.
1) A curta distância entre Lula e Flávio nas pesquisas
O presidente aparece à frente do senador na maioria das pesquisas para o primeiro turno — o levantamento mais recente do Datafolha, divulgado na semana passada, mostra Lula com 39%, frente a 33% de Flávio. A distância encurta, no entanto, nos cenários de segundo turno: nessa mesma pesquisa Datafolha, Lula tem 47%, contra 43% de Flávio, um empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.
A última rodada da pesquisa BTG/Nexus, publicada na segunda-feira, 24, mostrou um cenário semelhante: no primeiro turno, Lula tem 41% e Flávio, 37% — empate técnico dentro da margem de erro, também de dois pontos percentuais. No segundo turno, o empate é quase numérico: o presidente tem 46%, ante 45% do senador.
O petista havia aberto vantagem após a revelação da relação de Flávio com o banqueiro Daniel Vorcaro, entre maio e junho deste ano, mas a distância voltou a encurtar nos levantamentos mais recentes, dificultando uma conclusão antecipada.
2) Escândalos ainda podem produzir efeitos para os dois lados
Este é um fator ainda mais difícil de medir, uma vez que os dois candidatos estão envolvidos em investigações que podem ganhar novos capítulos durante a campanha.
Lula enfrenta o desgaste provocado pelas investigações envolvendo seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, enquanto Flávio Bolsonaro é pressionado pelas suspeitas relacionadas ao Banco Master e o financiamento do filme Dark Horse. Os dois negam irregularidades.
Até o momento, nenhum dos casos parece ter influenciado significativamente as intenções de voto tanto de Lula quanto de Flávio, mas é difícil prever o impacto caso surjam novas provas, depoimentos ou decisões judiciais sobre os eleitores que já estão convencidos e, principalmente, sobre os que ainda não estão — efetivamente o grupo que pode definir esta eleição.
3) Possibilidade de abstenção recorde pode ser decisiva
A abstenção vem crescendo nas eleições presidenciais e atingiu 20,95% no primeiro turno de 2022, o maior índice desde 1998. É difícil prever se esse recorde se renovará neste ano, mas há uma pista importante: as disputas nos estados. Em alguns dos colégios eleitorais mais importantes do país, as eleições para governador podem terminar já no primeiro turno, como em São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Pernambuco e Ceará.
Se essa perspectiva se confirmar, isso pode ser um desafio em um eventual segundo turno entre Lula e Flávio. Sem os palanques estaduais, eles terão de convencer os eleitores a sair de casa para votar apenas na eleição presidencial, o que não será tão simples, já que parte da militância tende a ser desmobilizada após o fim das disputas para governador, deputados e senadores.
A cinco semanas do primeiro turno, até o momento há apenas uma certeza: a de que o cenário pode mudar rapidamente e o resultado só será conhecido quando as urnas se abrirem.






