Santullo da Tereza: quatro décadas de articulação política e uma trajetória construída nos 79 municípios de Mato Grosso do Sul

Sem mandatos eletivos, Marco Aurélio Santullo construiu uma carreira marcada pela experiência em Brasília, na administração pública e pelo relacionamento com prefeitos, vereadores e lideranças de Mato Grosso do Sul

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Foto: Divulgação

Na política, nem sempre o tamanho de uma trajetória pode ser medido pela quantidade de mandatos conquistados. Há quem construa sua influência pelas urnas e há quem passe décadas ajudando a abrir portas, aproximar governos, encaminhar demandas e construir pontes entre municípios e as diferentes esferas do poder público.

Marco Aurélio Santullo pertence a esse segundo grupo.

Com mais de quatro décadas de atuação política e administrativa, o hoje candidato a deputado estadual pelo Progressistas construiu uma trajetória que passa pela Câmara dos Deputados, Assembleia Nacional Constituinte, Palácio do Planalto, órgãos federais, Governo de Mato Grosso do Sul e Prefeitura de Campo Grande.

Ao longo desse caminho, estabeleceu relações institucionais e políticas que se estendem pelas diferentes regiões do Estado. É essa experiência que sustenta a imagem de Santullo como um nome conhecido e com trânsito entre lideranças dos 79 municípios de Mato Grosso do Sul.

Em 2026, ele decidiu transformar essa experiência de bastidor em uma candidatura eleitoral e adotou nas urnas o nome “Santullo da Tereza”, numa referência direta à senadora Tereza Cristina, uma das principais lideranças do Progressistas no Estado.

Uma história que começou em Aquidauana
Marco Aurélio Santullo nasceu em 5 de março de 1961, em Aquidauana.

Ainda jovem, teve contato com o trabalho e com o serviço público. Mudou-se para Campo Grande em 1978 e passou por atividades como entregador de jornal e office-boy antes de ingressar na administração pública.

Começou como auxiliar administrativo na Secretaria de Saúde de Mato Grosso do Sul e, posteriormente, seguiu para Brasília, onde iniciou uma trajetória que o colocaria em contato direto com algumas das principais estruturas políticas do país.

Em 1982, passou a trabalhar na Câmara dos Deputados como assessor técnico legislativo.

Foi o começo de uma carreira que se desenvolveria justamente no ambiente onde são construídas as relações entre parlamentares, governos e instituições.

A experiência na Constituinte e em Brasília
A experiência acumulada na Câmara levou Santullo a participar de um dos períodos mais importantes da história política brasileira.

Entre 1987 e 1988, atuou como assessor técnico da Assembleia Nacional Constituinte, acompanhando o processo que resultou na Constituição Federal de 1988.

Posteriormente, entre 1988 e 1994, exerceu funções de assessoria legislativa junto ao PSDB, ampliando sua experiência na relação entre partidos, Congresso Nacional e Executivo.

Mas seria no governo Fernando Henrique Cardoso que sua atuação em Brasília alcançaria um dos pontos mais importantes.

Em 1995, Santullo passou a atuar na Subchefia de Assuntos Legislativos do Palácio do Planalto.

No ano seguinte, chegou a exercer interinamente a função de ministro da Coordenação Política e também ocupou a chefia de gabinete da pasta.

A experiência o colocou no centro da articulação entre o Governo Federal e o Congresso Nacional.

Era uma escola política que exigia negociação, conhecimento institucional e, principalmente, capacidade de construir diálogo com diferentes grupos.

Um articulador antes de ser candidato
Essa característica acompanharia Santullo pelo restante de sua trajetória.

Enquanto muitos políticos construíam suas carreiras a partir de mandatos, Santullo desenvolveu a sua principalmente dentro da administração pública e da articulação institucional.

Ele chegou a disputar eleições para deputado federal.

Em 1998, pelo PFL, recebeu 23.939 votos e ficou como suplente, incluindo cidades do vale do Ivinhema.

Em 2002, pelo PSDB, voltou a disputar uma cadeira na Câmara dos Deputados, obtendo 1.156 votos, novamente sem conquistar o mandato.

Depois das experiências eleitorais, sua trajetória voltou a se concentrar na gestão pública e na articulação política.

E foi justamente nesse período que sua relação com municípios de Mato Grosso do Sul ganhou ainda mais força.

A relação com os municípios
Um dos capítulos mais importantes dessa história ocorreu na Funasa, onde Santullo assumiu a superintendência em Mato Grosso do Sul em 2016.

A função tinha uma característica que combina diretamente com o perfil que ele desenvolveu ao longo da carreira: o contato permanente com os municípios.

Saneamento, abastecimento de água e saúde ambiental são áreas que dependem da relação entre União, Estado e prefeituras.

Durante aquele período, foram anunciados investimentos federais para obras em diferentes municípios sul-mato-grossenses.

A experiência reforçou uma característica que hoje aparece como um dos principais ativos políticos de Santullo: o conhecimento dos caminhos administrativos e institucionais necessários para que as demandas das cidades avancem dentro da estrutura pública.

Não é apenas uma questão de conhecer gabinetes.

É saber quem procurar, como encaminhar uma demanda e como transformar uma necessidade municipal em um projeto viável.

A ponte com Brasília
Essa experiência acumulada em Brasília passou a ter valor especial para os municípios.

Prefeitos e vereadores frequentemente precisam transitar entre diferentes órgãos para buscar recursos, programas e investimentos.

E Santullo conhece esse ambiente por dentro.

Passou pela Câmara dos Deputados, pelo Palácio do Planalto e por órgãos federais. Conheceu o funcionamento do Executivo e do Legislativo e, posteriormente, levou essa experiência para Mato Grosso do Sul.

Por isso, sua trajetória ganhou uma dimensão que vai além da disputa partidária.

Ao longo dos anos, Santullo construiu relações com diferentes administrações e grupos políticos, mantendo-se ligado àquilo que considera sua principal especialidade: articulação institucional.

Anater e a aproximação com Tereza Cristina
Outro momento decisivo ocorreu a partir de 2019.

Santullo passou a integrar a direção da Anater — Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural, chegando a exercer a função de diretor administrativo e financeiro.

Foi também nesse período que sua proximidade política com Tereza Cristina ganhou maior projeção.

A relação entre os dois passou a fazer parte da trajetória política de Santullo.

Tereza Cristina, por sua vez, consolidou-se como uma das principais lideranças políticas de Mato Grosso do Sul, chegando ao Ministério da Agricultura durante o governo Jair Bolsonaro e posteriormente ao Senado Federal.

Hoje, essa relação aparece inclusive no nome que Santullo escolheu para a disputa eleitoral: “Santullo da Tereza”.

O nome de urna não deixa dúvida sobre a associação política e a confiança construída entre os dois ao longo dos anos.

Governo do Estado e Prefeitura de Campo Grande
A trajetória de Santullo continuou em Mato Grosso do Sul.

Ele exerceu funções no Governo do Estado, inclusive na área de articulação com os municípios, e em 2023 foi nomeado para comandar a Funtrab durante a gestão do governador Eduardo Riedel.

Em março de 2024, assumiu a Secretaria Municipal de Governo e Relações Institucionais de Campo Grande, na administração da prefeita Adriane Lopes.

Mais uma vez, a função estava diretamente relacionada ao seu perfil profissional: relacionamento institucional, articulação política e diálogo com diferentes setores do poder público.

Foi mais uma etapa de uma carreira construída sobre relações e experiência administrativa.

Os 79 municípios como capital político
É nesse contexto que se compreende o peso da expressão “conhecido nos 79 municípios” quando se fala sobre Santullo.

Não significa apenas presença física em cada cidade.

Significa uma trajetória que, ao longo de décadas, passou por estruturas e funções que mantêm contato direto com os municípios.

São prefeitos, vice-prefeitos, vereadores, secretários, servidores públicos e lideranças que, em diferentes momentos, estiveram ligados às áreas em que Santullo atuou.

Seu conhecimento das estruturas federal, estadual e municipal fez com que construísse uma rede de relacionamento que hoje é apresentada por seus aliados como um dos principais diferenciais de sua candidatura.

É um capital político construído antes da campanha.

O prestígio que não nasceu das urnas
Talvez o aspecto mais singular da trajetória de Santullo seja justamente esse.

Ele conseguiu manter relevância política mesmo sem ocupar, durante a maior parte da carreira, um mandato eletivo.

Sua influência foi construída por meio da participação na administração pública, da articulação entre governos e da relação com lideranças.

É uma forma diferente de fazer política.

Em vez de aparecer apenas durante os períodos eleitorais, Santullo passou décadas circulando pelos ambientes onde decisões administrativas e políticas são tomadas.

Isso explica por que, ao retornar ao cenário eleitoral, chega com uma rede de relações já estabelecida.

A construção dentro do Progressistas
No Progressistas, Santullo também assumiu funções importantes na organização partidária em Mato Grosso do Sul.

Sua atuação ajudou a aproximá-lo ainda mais das estruturas municipais do partido e das lideranças espalhadas pelo Estado.

A estratégia para 2026 é justamente transformar essa experiência em uma candidatura competitiva à Assembleia Legislativa.

O desafio, entretanto, é diferente daquele enfrentado durante sua longa carreira administrativa.

Agora não basta conhecer os caminhos.

É necessário conquistar votos.

O “Santullo da Tereza”
A escolha do nome eleitoral sintetiza boa parte dessa trajetória.

Santullo da Tereza une dois patrimônios políticos: a experiência acumulada pelo próprio candidato e a força política de Tereza Cristina.

A associação é deliberada.

Santullo apresenta-se ao eleitor como alguém que conhece Brasília, conhece a máquina pública e mantém relacionamento com lideranças municipais.

Tereza Cristina, por sua vez, empresta à candidatura o peso de uma das principais lideranças do Progressistas em Mato Grosso do Sul.

É uma estratégia que busca transformar confiança política em identificação eleitoral.

O desafio de 2026
Depois de décadas ajudando outros políticos a construir alianças, encaminhar demandas e ocupar espaços institucionais, Santullo agora precisa fazer esse trabalho em benefício da própria candidatura.

Sua experiência é extensa.

Seu relacionamento político é amplo.

Sua presença institucional é antiga.

Mas a eleição será decidida pelo eleitor.

Em 2026, o desafio de Marco Aurélio Santullo é transformar quatro décadas de história política em uma cadeira na Assembleia Legislativa.

Seus aliados apostam justamente naquilo que consideram seu maior diferencial: a experiência de quem conhece os municípios, conhece Brasília, conhece a administração pública e construiu, ao longo de décadas, relações que ultrapassam os limites de um mandato ou de uma eleição.

A candidatura chega, portanto, como consequência de uma trajetória construída muito antes do período eleitoral.

De Aquidauana a Brasília. Da Constituinte ao Palácio do Planalto. Da Funasa à Anater. Do Governo do Estado à Prefeitura de Campo Grande. E, ao longo desse caminho, uma rede de relações que alcança as diferentes regiões de Mato Grosso do Sul.

Agora, o homem dos bastidores coloca seu próprio nome na urna.

E o eleitor dos 79 municípios terá a palavra final.