Justiça volta a negar prisão domiciliar à ex-presidente presa pelo Gecoc

BATANEWS/INVESTIGAMS


Foto: Divulgação

A justiça negou, mais uma vez, prisão domiciliar para a ex-presidente da Santa Casa, Alir Terra, presa em operação do Gecoc.

A decisão consta no diário da justiça desta quinta-feira, que aponta a rejeição dos pedidos de substituição do encarceramento para prisão domiciliar.

Há um mês, a justiça negou pedido de liberdade para Alir e para Hakme. Todavia, nesta semana, ele teve a prisão domiciliar autorizada por conta de problemas de saúde. A defesa de Alir tentou novo pedido após essa liberdade de Hakme, o que foi negado.

Na decisão passada, o avaliar o caso, a juíza May Melke Penteado Siravegna avaliou que a idade de 71 anos não era suficiente para assegurar a liberdade de Alir, que não apresentava problema grave de saúde. Alir está presa no Presídio Militar Estadual. Na semana passada, teve uma crise de ansiedade e precisou ir para o hospital.

A defesa dela também recorreu ao Tribunal de Justiça, mas o relator,  desembargador José Ale Ahmad Netto, negou liminar.

Também continuam presos: Monique Gregório de Oliveira, Alessandro Dias Junqueira, Paulo Guilherme Gutierrez e Maurício Aparecido Benites.

Alir estava no segundo mandato como presidente; Paulo Guilherme era chefe do setor administrativo; Rinaldo Romero era diretor Financeiro; Monique, coordenadora do serviço de arquivamento médico ; Alessandro, ex-diretor administrativo; e Maurício, dono de uma prestadora de serviços para digitalização de prontuários médicos no hospital.

O caso

O Gecoc cumpriu seis mandados de prisão preventiva e 36 trinta e seis mandados de busca e apreensão nos Municípios de Campo Grande, Dourados e Goiânia (GO).

Os policiais investigam a existência de fraudes e desvios de dinheiro em contrato firmado pela Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande para a prestação de serviços de digitalização de prontuários, em que ocorreram pagamentos de valores elevados sem a devida contraprestação de serviços.

Segundo a investigação, o contrato previa pagamento de um milhão e oitocentos mil reais por ano e tinha vigência de três anos, totalizando cinco milhões e quatrocentos mil reais. Porém, segundo a investigação, somente no primeiro ano de vigência, o desvio de recursos totalizou um milhão e quatrocentos mil reais.

“No curso da investigação também foram identificadas irregularidades em contratos celebrados pela Operadora Santa Casa Saúde – empresa controlada pela Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande – com diversas empresas do mesmo grupo econômico. Essas empresas, cujo proprietário tinha ligações com a diretoria da Santa Casa, estavam registradas no mesmo endereço, mas o imóvel, na verdade, encontrava-se desocupado', diz o Gecoc.

Segundo a apuração do Gecoc, somente no ano de 2025, a Operadora pagou aproximadamente nove milhões e seiscentos mil reais para essas empresas, e gerou um prejuízo, no mínimo, segundo apurado até o momento, de três milhões e meio de reais à entidade.

As investigações apontam que os contratos, pagamentos e prestações de contas eram sistematicamente sonegados dos órgãos de controle, incluindo Conselho Fiscal da Santa Casa e a Controladoria-Geral do Estado.

A operação contou com apoio operacional do Batalhão de Choque e com a participação da Comissão de Defesa e Assistência das Prerrogativas dos Advogados (CDA) da OAB/MS.

“Antidotum', termo que dá nome à operação, traduz-se do latim como antídoto, e significa contraveneno ou contramedida, substância que neutraliza ou impede a ação nociva de uma toxina no organismo.