Com Rebeca, Brasil volta ao pódio do Mundial de ginástica e dá passo por medalha nas Olimpíadas

Campeã olímpica recoloca o Brasil entre os favoritos a uma medalha nos Jogos de Los Angeles 2028 e puxa evolução da equipe feminina. Time masculino está em alerta

BATANEWS/GE


Rebeca Andrade é ouro no salto sobre a mesa no Mundial 2026 — Foto: REUTERS/Yves Herman

O Brasil voltou ao pódio do Mundial de ginástica artística. Depois de ficar sem medalhas no ano passado, o país mostrou força entre as mulheres em Roterdã, especialmente com o tricampeonato do salto para Rebeca Andrade e o bronze da trave de Flávia Saraiva. Resultados que recolocaram o Brasil no caminho do pódio das Olimpíadas de 2028. Rebeca & Cia. têm potencial para crescer até Los Angeles. Perspectivas bem diferentes da equipe masculina, que ficou fora das finais de uma grande competição após 16 anos.

O retorno de Rebeca no topo

A campeã olímpica Rebeca Andrade retornou ao Mundial depois de um ano longe das competições para recuperar o corpo e a mente do desgaste para conquistar quatro medalhas nas Olimpíadas de Paris 2024. Em Roterdã, a ginasta de 27 anos mostrou que está sendo bem-feito o planejamento pautado em uma evolução gradual até Los Angeles 2028.

Ela sempre passou dos 9,300 pontos em execução no salto neste Mundial, uma precisão que lhe garantiu o tricampeonato mesmo sem apresentar os voos das medalhas olímpicas. Rebeca está sobrando no salto, em técnica e altura. Tem tudo para recuperar o Cheng e o Amanar. Com eles, só não vai chegar às Olimpíadas como favorita se Simone Biles voltar a competir e recuperar seu Yurchenko Double Pike - a americana não descarta um retorno e deixa seu futuro aberto.

Rebeca também se apresentou na trave e deve ganhar consistência no aparelho com mais tempo de treinamento ano que vem. O plano é voltar a competir nas barras assimétricas em 2027, o que vai ajudar bastante a equipe brasileira na busca por uma vaga olímpica durante o Mundial de Chengdu.

Evolução feminina

A equipe feminina do Brasil também teve desempenho positivo. Embora tenha saído do pódio depois do bronze de Paris 2024, o quinteto verde-amarelo se manteve entre as melhores do mundo, com a quinta posição no Mundial de Roterdã. Foram cinco vagas em finais na Holanda - no ano passado, só Flavinha foi a uma disputa por medalha, na trave. E há margem de crescimento para a equipe em 2027. É possível inclusive voltar a brigar pelo pódio.

Flavinha está cada vez mais consistente na trave. Ela só teve uma queda nos dois últimos anos e foi precisa no aparelho nos momentos mais importantes do Mundial, a classificatória e a final do aparelho, que lhe rendeu o bronze. A ginasta de 27 anos competiu com um desconforto muscular na coxa, que a fez apresentar um salto com valor de dificuldade menor do que o planejado. Também pode crescer nas acrobacias do solo. É peça fundamental da equipe.

Lorrane Oliveira retornou muito bem ao individual geral, voltando à final da prova depois de 11 anos. Thais Fidelis foi mais um grato retorno ao Mundial, com seis séries firmes entre classificatórias e a decisão por equipes. Mesmo a caçula Sophia Weisberg, que teve falhas no primeiro dia, executou um ótimo salto na final por equipes.

Outras peças ainda podem ganhar vaga no quinteto brasileiro, como a medalhista olímpica Julia Soares, que lidou com uma lesão neste segundo semestre. Gabriela Bouças, Julia Coutinho e Carolyne Pedro correm por fora.

Equipe masculina em alerta

Se por um lado houve uma evolução entre as mulheres, o cenário do Brasil na ginástica masculina é preocupante. A equipe brasileira foi a 19ª colocada, quase cinco pontos atrás do top-12, zona de classificação para as Olimpíadas de Los Angeles. Além disso, nenhum brasileiro avançou a uma final. A última vez que isso aconteceu em uma grande competição foi no Mundial de 2010, também em Roterdã.

No ano passado, Diogo Soares e Caio Souza colocaram o Brasil em três finais. Neste ano, Diogo teve falhas, ficando fora da decisão do individual geral pela primeira vez - ele não teve uma grande temporada em 2026. Caio, por sua vez, sofreu uma ruptura no bíceps direito um mês antes do Mundial e precisou passar por uma cirurgia, sendo cortado da lista de Roterdã. Ter os dois em boa forma vai ser fundamental para a equipe brasileira tentar a vaga que escapou por menos de dois décimos para Paris 2024.

Medalhista olímpico e campeão mundial, Arthur Nory fazia uma boa série de barra fixa quando bateu de cara no aparelho. Ele precisou abandonar a competição (ainda faria solo e salto) e tomar quatro pontos na testa. Recuperado, o ginasta de 33 anos ainda pode contribuir bastante para a equipe, embora os pontos fracos do Brasil sejam justamente os pontos fracos de Nory: o cavalo com alças e as argolas. Crescer nesses aparelhos vai ser a chave para ter uma chance de classificar a equipe completa como na Rio 2016 e em Tóquio 2020.

Caso não se classifique por equipes, o Brasil ainda tem chance de levar até três vagas individuais - conseguiu duas em Paris 2024. Mesmo para esses postos, o cenário não é bom para os brasileiros. Tomando como base os resultados de Roterdã, o Brasil ainda está no páreo, mas precisa evoluir.

Enquanto as mulheres miram as medalhas, os homens brigam por classificação olímpica. Apenas Arthur Nory ainda se coloca entre os candidatos a uma final por aparelho. Pouco para uma equipe que na Rio 2026 classificou todos os ginastas para as finais individuais e faturou três pódios.