Crise no STF: campanha de Lula defende 'virar a página' da disputa entre Moraes e Mendonça

BATANEWS/G1


Os ministros do STF, Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a solenidade — Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Passada a sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) que discutiu o relatório da Polícia Federal (PF) que cita o ministro Alexandre de Moraes, que terminou sem um desfecho, integrantes da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendem "virar a página" sobre o assunto.

A avaliação é de que o tema favorece o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presdiência da República, e que é preciso mudar a pauta para problemas concretos das pessoas.

A principal estratégia da coordenação da campanha tem sido intensificar a comparação entre os governos de Lula e de Jair Bolsonaro (PL).

A última pesquisa Quaest que mostrou Flávio Bolsonaro numericamente à frente no segundo turno acendeu uma luz amarela no núcleo duro da campanha petista.

Nas últimas horas, as redes da campanha têm intensificado postagens reforçando a lembrança de crises agudas do governo Bolsonaro, como o desrespeito com pacientes de Covid-19, a fila para adquirir ossos por moradores com fome e ataques a mulheres.

Integrantes da campanha afirmam que o objetivo é desconstruir a família Bolsonaro e estimular o anti-bolsonarismo.

A conta é de que o aumento da rejeição de Flávio Bolsonaro entre eleitores independentes favoreceria a campanha de Lula.

Enquanto isso, o presidente tem tentado se descolar de Alexandre de Moares, enfatizando o tom adotado pela campanha de que "ninguém está acima da lei".

Em entrevista a um podcast nesta quarta (16) disse:

"Eu não era presidente quando o Alexandre de Moraes foi indicado para ministro da Suprema Corte", disse Lula.

Outros integrantes da campanha já têm elevado o tom.

"Reconheço, louvo e aplaudo os esforços do ministro Alexandre de Moraes para salvar a democracia. Mas era obrigação constitucional dele. Isso não gera salvo-conduto", afirma o coordenador do Grupo Prerrogativas e um dos coordenadores da campanha de Lula, Marco Aurélio de Carvalho.

O desafio é superar uma correlação entre Moraes e Lula. A campanha de Flávio Bolsonaro intensificou a associação entre ministro e candidato.

A estratégia deste campo político é tratar Lula e Moraes como duas faces da mesma moeda.

Integrantes do núcleo bolsonarista estão usando nas redes os nomes "Alexandre da Silva" e "Lula de Moraes" como forma de engajar a militância a associar ambos os personagens.