Política
Debate com Tarcísio mostrou ponto fraco de Haddad na eleição de São Paulo, diz cientista político
No Ponto de Vista, Elias Tavares vê dificuldade para o petista reverter a vantagem do governador na disputa estadual
BATANEWS/VEJA
O primeiro debate entre Tarcísio de Freitas e Fernando Haddad na disputa pelo governo de São Paulo pode ter oferecido uma prévia de um confronto político que ultrapassa a eleição estadual. Para o cientista político Elias Tavares, o encontro entre os dois candidatos teve características de uma disputa já polarizada e chegou a lembrar um possível embate presidencial em 2030. A análise foi feita no programa Ponto de Vista, da VEJA, apresentado por Laísa Dall’Agnol (este texto é um resumo do vídeo acima).
Realizado na Band, o debate foi marcado por discussões sobre segurança pública, economia e as administrações estadual e federal. Haddad tentou nacionalizar a disputa e levou Jair Bolsonaro ao confronto, enquanto Tarcísio adotou, na avaliação de Tavares, um comportamento mais comedido.
O debate já mostrou um ‘segundo turno no primeiro turno’?
Elias classificou o encontro como qualificado, embora pouco movimentado. Para ele, a ausência de candidatos competitivos além dos dois principais nomes reduz as possibilidades de confronto e faz com que a eleição paulista tenha desde o início a configuração de uma disputa final. “Não me recordo de outro processo eleitoral que a gente teve basicamente um segundo turno no primeiro turno.”
O cientista político observou que Haddad mencionou Bolsonaro mais vezes do que o próprio Tarcísio, enquanto o governador concentrou o debate na defesa de sua administração. Segundo Elias, o primeiro encontro também teve importância por colocar os candidatos frente a frente sem a mediação de conteúdos produzidos para as redes sociais. “É o primeiro gesto ali de confronto, cara limpa, sem arte visual, sem IA, sem nada.”
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Por que o debate pode ter antecipado 2030?
Ao acompanhar o confronto, Elias afirmou ter enxergado uma dimensão que vai além da disputa pelo Palácio dos Bandeirantes. “Esse debate muito provavelmente poderia ser o debate presidencial de 2030.”
A avaliação parte do peso político acumulado pelos dois candidatos. Tarcísio chega à eleição buscando defender sua gestão, enquanto Haddad tenta se apresentar como alternativa ao atual modelo paulista. Para Elias, porém, a eleição estadual coloca fundamentalmente o mandato do governador sob julgamento, sem que tenha surgido até agora um elemento novo capaz de alterar significativamente a dinâmica da disputa.
Tarcísio pode vencer já no primeiro turno?
Laísa citou pesquisas que mostram vantagem expressiva do governador. Na avaliação do cientista político, a dificuldade de Haddad está justamente em encontrar um elemento novo para reduzir a vantagem de Tarcísio. “O grande desafio que o Fernando Haddad tem é se colocar como alternativa.”
Para Elias, o petista enfrenta um problema de imagem por ser um personagem já amplamente conhecido pelo eleitorado paulista. “Ele é uma alternativa já com a imagem cansada, com a imagem já muito conhecida.”
Segundo o analista, a consolidação prévia das opiniões sobre Haddad dificulta a conquista de eleitores que hoje preferem Tarcísio. “Quem gosta do Haddad já gosta, e quem não gosta, eu não consigo enxergar ali manejo para que ele possa convencer o eleitor a não votar no Tarcísio e acabar votando nele.”
Esse cenário, combinado à concentração da disputa em apenas dois grandes polos, sustenta a avaliação de Elias de que a eleição pode ser resolvida rapidamente.
A polarização nacional deve dominar São Paulo?
Na leitura do cientista político, a corrida paulista tende a reproduzir parte da divisão observada nacionalmente. Haddad buscou aproximar o debate da disputa federal e das diferenças entre os campos de Lula e Bolsonaro. Tarcísio, por sua vez, concentrou-se mais na defesa do próprio governo. Para Elias, o risco é que uma eleição com apenas dois protagonistas competitivos produza debates previsíveis e tenha dificuldade de mobilizar o eleitor. “Está dado o tom. Serve para um pontapé inicial, mas, se continuar nesse formato, talvez não empolgue o eleitor paulista.”
Ainda assim, o cientista político vê um quadro bastante definido neste início da campanha. Sem uma mudança significativa na dinâmica eleitoral, sua avaliação é de que Tarcísio entra em posição muito favorável para tentar encerrar a disputa já no primeiro turno.





