Agricultura
Biofertilizantes rompem barreira regulatória e chegam a 33 registros no Brasil
Categoria ganhou regras próprias em 2020 e hoje reúne produtos de 17 empresas voltados à eficiência fisiológica das plantas.
BATANEWS/OPR
O mercado brasileiro de biofertilizantes avança em ritmo crescente. Dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) mostram que, entre 2019 e junho de 2026, foram registrados 33 produtos enquadrados nessa categoria, distribuídos em seis classes tecnológicas e desenvolvidos por 17 empresas.
Embora o número ainda seja pequeno diante do tamanho do mercado nacional de insumos, especialistas avaliam que ele representa a consolidação de uma categoria que, até poucos anos atrás, não possuía regulamentação específica. “Mais do que um aumento no número de registros, estamos acompanhando o amadurecimento de um mercado com potencial para colocar o Brasil entre as principais referências mundiais em tecnologias biológicas voltadas à nutrição de plantas”, afirma o engenheiro agrônomo Anderson Nora Ribeiro, que participou do processo de registro de parte desses produtos.
Regulamentação impulsionou novos registros
Engenheiro agrônomo Anderson Nora Ribeiro: “Mais do que um aumento no número de registros, estamos acompanhando o amadurecimento de um mercado com potencial para colocar o Brasil entre as principais referências mundiais em tecnologias biológicas voltadas à nutrição de plantas” – Foto: Divulgação
Um dos principais fatores para a expansão do mercado foi a publicação da Instrução Normativa nº 61, em 2020, que estabeleceu critérios específicos para o registro de biofertilizantes no país.
Segundo Ribeiro, a regulamentação exigiu um período de adaptação das empresas, que precisaram elaborar estudos, reunir documentação técnica e adequar seus produtos às novas exigências do Mapa. “Era necessário compreender as novas regras, estruturar dossiês técnicos e produzir as evidências exigidas para o registro. Por isso, o crescimento ocorreu de forma gradual nos primeiros anos”, explica.
Entre 2019 e 2022 foram registrados apenas cinco biofertilizantes. A partir de 2023, porém, o ritmo acelerou. Naquele ano foram aprovados nove produtos, seguidos por seis registros em 2024, cinco em 2025 e outros oito apenas no primeiro semestre de 2026.
Produtos atuam na eficiência das plantas
Apesar do nome, os biofertilizantes não substituem a adubação mineral convencional. Seu objetivo é aumentar a eficiência fisiológica das plantas, favorecendo processos como desenvolvimento radicular, absorção de nutrientes, fotossíntese e tolerância a estresses ambientais, como seca, calor e salinidade.
No mercado internacional, esses produtos são conhecidos como bioestimulantes (biostimulants). No Brasil, entretanto, a legislação adotou a classificação de biofertilizantes. “Na agricultura moderna, o desafio não é apenas fornecer nutrientes, mas fazer com que a planta utilize melhor os recursos disponíveis”, ressalta Ribeiro.
Aminoácidos e algas lideram registros
Os dados do Mapa também mostram quais tecnologias concentram os investimentos da indústria.
Os produtos à base de aminoácidos lideram o mercado regulado, com 13 registros, o equivalente a 39% do total. Em seguida aparecem os formulados com extratos de algas, que somam dez registros e representam cerca de 30.
Juntas, essas duas categorias concentram aproximadamente 70% dos biofertilizantes registrados no país.
Também cresce o desenvolvimento de formulações que combinam diferentes compostos biológicos, como aminoácidos e substâncias húmicas, seguindo uma tendência internacional de produtos multifuncionais voltados ao aumento da eficiência fisiológica das culturas.
Apesar da evolução dos registros, Ribeiro avalia que o potencial do segmento ainda está longe de ser totalmente explorado.
Segundo ele, centenas de produtos comercializados atualmente utilizam aminoácidos, extratos de algas, substâncias húmicas e outros compostos naturais, mas continuam enquadrados em categorias regulatórias diferentes. “Em muitos casos, as empresas deixam de comunicar oficialmente características e benefícios que poderiam ser reconhecidos dentro da classificação de biofertilizantes”, afirma.
Na avaliação do especialista, a ampliação do número de registros tende a aumentar a segurança jurídica para as empresas, facilitar o trabalho de distribuidores e pesquisadores e oferecer aos produtores informações mais claras sobre a função e os benefícios dessas tecnologias.





