Cobrança por respostas de secretários provoca discussão entre Cabo Máximo e Edson Ibrahim na Câmara de Batayporã

Vereador citou administração do ex-prefeito Edson Ibrahim ao falar sobre demora nas respostas aos requerimentos; ex-prefeito reagiu e questionou mudança de postura do parlamentar

BATANEWS/REDAçãO


Foto: Divulgação

Uma discussão acalorada marcou o pronunciamento do vereador Cabo Máximo durante a sessão da Câmara Municipal de Batayporã. Ao reforçar as cobranças feitas anteriormente pelo vereador Lourinho sobre a demora de secretários municipais em responder requerimentos do Legislativo, Cabo Máximo citou administrações anteriores e mencionou diretamente o ex-prefeito e atual vereador Edson Ibrahim, provocando um bate-boca durante o aparte.

Cabo Máximo iniciou sua fala apoiando as reivindicações de Lourinho, especialmente em relação aos pedidos encaminhados aos secretários municipais e à demora no atendimento das demandas apresentadas pelos vereadores.

Segundo ele, o problema não seria exclusivo da atual administração. O parlamentar afirmou que já acompanhou diferentes gestões municipais e que, em sua avaliação, a demora na resposta aos requerimentos é um problema que se repete ao longo dos anos.

“A gente gostaria de ser tratado como os verdadeiros vereadores, os verdadeiros representantes do povo, através das nossas cobranças”, afirmou Cabo Máximo.

O vereador também declarou que moradores dos assentamentos já teriam adquirido horas de máquinas e permanecem aguardando a execução dos serviços.

Citação a Edson Ibrahim provoca reação
Ao falar sobre a demora nas respostas dos secretários, Cabo Máximo citou o período em que Edson Ibrahim esteve à frente da Prefeitura.

Segundo Cabo Máximo, durante aquela administração os vereadores também enfrentavam dificuldades para obter respostas aos pedidos encaminhados ao Executivo.

A declaração provocou uma reação imediata de Edson Ibrahim, que pediu questão de ordem e contestou a afirmação.

O ex-prefeito afirmou que Cabo Máximo havia sido seu líder durante sua administração e, por isso, teria conhecimento de que a situação não ocorria da forma como estava sendo relatada. “Mas o senhor era meu líder na época e tem conhecimento que não era desse jeito. Não sei por que agora está falando isso”, reagiu Edson.

Cabo Máximo tentou concluir seu raciocínio, afirmando que estava se referindo a um problema que, segundo ele, atravessaria diferentes administrações.

Edson questiona mudança de postura
A discussão ganhou tom mais político quando Edson Ibrahim questionou a postura de Cabo Máximo e afirmou que o vereador, em outras ocasiões, teria elogiado sua administração. “Tem conversa do senhor aí que foi o melhor prefeito, foi o melhor líder, que agora está mudando tudo, nobre vereador”, disse Edson.

Na sequência, o ex-prefeito afirmou estranhar o comportamento do parlamentar e sugeriu que poderia haver alguma razão para a mudança de posicionamento.

Cabo Máximo negou qualquer motivação diferente e insistiu que sua crítica não era direcionada exclusivamente à administração de Edson Ibrahim.

Edson voltou a questionar por que o vereador havia escolhido citar especificamente seu nome, lembrando que Cabo Máximo passou por outras administrações ao longo de sua trajetória política. “Por que vai citar meu nome? Teve vários prefeitos que o senhor passou. Por que essa preferência do Edson Ibrahim?”, questionou.

Cabo Máximo respondeu que não havia nada de estranho em sua manifestação e reiterou que estava falando sobre o comportamento de diferentes administrações.

“Não custa nada responder”
Depois do momento de tensão, Cabo Máximo retomou o foco inicial de seu pronunciamento e voltou a pedir que os secretários municipais respondam aos requerimentos apresentados pelos vereadores dentro dos prazos previstos.

O parlamentar afirmou que uma resposta formal permitiria aos vereadores prestar esclarecimentos à população que procura o Legislativo em busca de informações.

“Não custa nada. Senta à frente do computador, coloca uma resposta plausível para a gente fazer a leitura aqui e pronto, acabou”, declarou.

Para Cabo Máximo, a cobrança não significa exigir que o prefeito ou os secretários resolvam imediatamente todas as demandas, mas garantir que o Legislativo tenha respostas oficiais para repassar aos moradores.

Contas de Jorge Takahashi também entram no discurso
No final de sua fala, Cabo Máximo relacionou a discussão sobre os prazos e respostas do Executivo ao processo de julgamento das contas do ex-prefeito Jorge Luiz Takahashi, que estava na pauta da sessão, mas teve sua votação adiada.

O vereador afirmou que gostaria que as contas tivessem sido votadas naquela noite, mas lembrou que o julgamento acabou sendo adiado após pedido de vista, em meio à ausência da defesa e do vereador Diego Ricardi, que, segundo informado na sessão, estava em missão relacionada ao serviço do município.

Cabo Máximo encerrou sua manifestação pedindo novamente que os secretários respeitem os prazos e respondam às solicitações dos vereadores.

Segundo ele, a cobrança não seria direcionada apenas à atual gestão, mas a um comportamento que considera recorrente nas administrações municipais.

“Todos os prefeitos que passaram por aqui, do ano de 2001 até hoje, todos os secretários têm essa preocupação de estar empurrando os vereadores com a barriga”, afirmou.

Clima político
O episódio expôs uma divergência política entre dois vereadores que já estiveram próximos em momentos anteriores da vida pública municipal. A fala de Cabo Máximo, inicialmente direcionada à demora de respostas dos secretários, acabou trazendo para o plenário uma discussão sobre a administração de Edson Ibrahim e sobre a postura política do próprio Cabo Máximo.

Apesar do tom elevado durante o aparte, Cabo Máximo terminou sua fala pedindo desculpas a Edson Ibrahim caso sua manifestação tivesse sido interpretada como desrespeitosa e reafirmou que sua intenção era criticar uma prática que, segundo ele, teria atravessado diferentes governos municipais.

O episódio acrescentou um componente político à sessão, que também teve como um dos principais assuntos o adiamento da votação das contas de governo de 2018 do ex-prefeito Jorge Luiz Takahashi.