Como lobista paga o aluguel da mansão onde Lulinha fazia negócios

Imóvel fica em Brasília e era usado pela empresária Roberta Luchsinger e pelo filho do presidente para reuniões com ministros e empresários

BATANEWS/VEJA


CASA DOS MUSARANHOS - A mansão em Brasília: atividades no local entraram no radar das investigações (Cristiano Mariz/Agência O Globo/.)

Amiga de Lulinha, a lobista Roberta Luchsinger é quem paga o aluguel da mansão usada por ela e pelo filho mais velho do presidente em Brasília para fazer reuniões com ministros e empresários e tratar de negócios de interesse da dupla que, ao lado de Fernando Bittar, é investigada pela Polícia Federal por suspeitas de prática de tráfico de influência no governo Lula. Os detalhes desta investigação foram revelados por VEJA na semana passada.

As despesas para manutenção da casa giram em torno de 100.000 reais por mês. O valor, segundo VEJA apurou, é pago pela lobista via transferência bancária, feita diretamente para a conta do proprietário do imóvel, que mora nos Estados Unidos. A própria empresária mencionou o montante das despesas com a mansão em uma das mensagens trocadas com um cliente e anexadas ao inquérito que investiga ela e Lulinha.

Roberta e o interlocutor falavam sobre a compra de passagens aéreas para uma viagem do filho do presidente. “Daí eu falei: ‘ó, Fábio, agora acabou porque a casa por mês a gente gasta em torno de 100 mil. Então assim, não vai dar mais pra ter essas passagens, né?, diz ela. A casa, localizada a 8 quilômetros do Palácio do Planalto, fica dentro de um condomínio de alto padrão na área mais nobre de Brasília.

A lobista decidiu alugar o imóvel em meados de 2024 . O contrato de locação, porém, foi assinado por Rafael Nicolau Arbex, um dentista que mora em São Paulo. Ele é amigo de Fernando Bittar, o sócio de Lulinha que ficou conhecido durante a Operação Lava-Jato. Arbex já foi arrolado como testemunha de defesa no processo que condenou Lula por corrupção. Ele disse na época que frequentava o famoso sítio de Atibaia, mas nunca tinha visto o presidente por lá.

De acordo com as acusações que pesavam contra Lula na Lava Jato, o sítio teria sido um “presente” que empreiteiras envolvidas no escândalo da Petrobras deram ao petista em troca dos contratos que conseguiam no governo.

Arbex garante que não teve a intenção de esconder a identidade do verdadeiro locatário ao assinar o contrato. “Assinei porque na época ela teve um imprevisto e não pôde ir a Brasília”, disse em entrevista a VEJA.

Lulinha, que hoje mora com a família em Madri, na Espanha, sempre se hospeda na mansão quando vai a Brasília. Lá, ele e Roberta oferecem almoços e jantares, além de churrascos e festas. O local recebeu visitas de ministros, como Alexandre Padilha (Saúde), Frederico de Siqueira (Comunicações) e Wellington Dias (Desenvolvimento Social), bem como de assessores diretos do presidente, a exemplo de Marco Aurélio Santana, o Marcola, e Swedenberger Barbosa.

Procurados, os ministros e os assessores palacianos não quiseram explicar o motivo das visitas.

O lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS e apontado pela PF como principal operador das fraudes bilionárias no INSS, era um assíduo frequentador da mansão. Algumas dessas visitas, inclusive, aconteciam junto com Lulinha.

Em nota, o filho do presidente informou que frequentou a casa de Roberta em Brasília de forma esporádica. “Fábio Luís mantinha relação de amizade com Roberta Luchsinger e ia à casa de Brasília esporadicamente. Atualmente reside fora do país e seus retornos são facilmente verificáveis e de conhecimento das autoridades competentes por apurar qualquer desconfiança sobre suas relações pessoais”, escreveu Guilherme Suguimori, advogado do primogênito.

Roberta não quis se pronunciar.