Os “donos dos votos”: quando a política aposta em lideranças de papel e esquece o eleitor

Por trás das campanhas eleitorais, existe uma disputa que nem sempre aparece nos discursos: quem realmente tem influência sobre os votos.

BATANEWS/REDAçãO


Foto: Divulgação

Em período eleitoral, não é novidade surgirem pessoas que se apresentam como grandes articuladores políticos, capazes de reunir famílias, garantir grupos de eleitores e “entregar” votos a determinado candidato. São figuras que, muitas vezes, constroem para si a imagem de liderança e tentam convencer candidatos de que possuem um patrimônio eleitoral particular.

Mas uma pergunta precisa ser feita: voto tem dono?

Em uma democracia, o voto pertence ao eleitor. Não pertence ao ex-candidato, ao ex-servidor público, ao servidor da ativa, ao dirigente partidário, ao empresário, ao cabo eleitoral ou a qualquer suposta liderança política.

Mesmo assim, nos bastidores das eleições, há quem prefira apostar pesado nesse modelo, concentrar recursos e expectativas em poucas pessoas que afirmam possuir grande capacidade de mobilização, enquanto deixam em segundo plano o contato direto com as famílias e com a população.

A aposta cara nas “lideranças”
O problema aparece quando uma candidatura acredita mais no discurso de quem diz ter votos do que na realidade das ruas.

Há situações em que uma única pessoa pode ser tratada como uma espécie de “proprietária” de determinado grupo eleitoral, recebendo atenção, estrutura e recursos que poderiam alcançar dezenas ou até centenas de pessoas envolvidas efetivamente no trabalho de campanha.

A lógica é simples, se alguém realmente tem força política, por que não medir essa força pelo trabalho realizado, pela capacidade de mobilização comprovada e pelo respeito que possui junto à comunidade?

A eleição não deveria ser uma disputa para descobrir quem consegue convencer candidatos de que é mais importante do que realmente é.

E quem trabalha de verdade?
Enquanto alguns buscam posições privilegiadas, existe uma parcela da população que participa das campanhas fazendo o trabalho que mantém uma candidatura nas ruas: conversando com moradores, distribuindo material, acompanhando reuniões, ajudando na organização de eventos e levando as propostas dos candidatos aos bairros.

São pessoas que, muitas vezes, precisam daquela oportunidade de trabalho temporário.

Nesse cenário, surge uma discussão legítima, é mais eficiente concentrar R$ 10 mil, R$ 15 mil ou R$ 20 mil em uma única suposta liderança ou distribuir recursos dentro dos critérios permitidos pela legislação eleitoral para contratar trabalhadores de campanha que efetivamente prestem serviços?

Além de representar uma escolha política, a questão envolve responsabilidade na utilização dos recursos de campanha e respeito às regras eleitorais.

O eleitor não é propriedade de ninguém
Nos município possui famílias, comunidades e cidadãos com opiniões próprias.

Uma família pode conversar com um candidato hoje e escolher outro amanhã. Um grupo pode apoiar determinada candidatura e mudar de posição durante a campanha. Uma pessoa pode ouvir uma liderança, mas tomar sua própria decisão diante da urna.

Isso é democracia.

Por isso, candidatos que ignoram diretamente a população para apostar exclusivamente em intermediários correm o risco de descobrir, no dia da eleição, que a quantidade de votos prometida nos bastidores não corresponde necessariamente à quantidade de votos existente nas urnas.

A política baseada na realidade precisa ir às ruas.

Precisa ouvir as famílias.

Precisa conversar com trabalhadores.

Precisa conhecer os problemas dos bairros.

Precisa respeitar o eleitor.

E, quando houver contratação de pessoal para atividades de campanha, precisa fazê-lo de forma transparente e dentro dos critérios estabelecidos pela legislação eleitoral.

Liderança de verdade se prova, não se esconde e fala quando estã recebendo pelo seu trabalho.
Ser chamado de liderança não transforma ninguém automaticamente em liderança.

Liderança se constrói com credibilidade, trabalho, presença na comunidade e capacidade de dialogar com as pessoas.

E, principalmente, liderança política não significa ser dono da vontade de ninguém.

Talvez a eleição devesse servir também para separar quem realmente possui influência de quem apenas afirma possuir influência.

Porque, no fim, existe um teste que não aceita discurso, promessa ou currículo político, a urna.

É nela que os supostos “donos dos votos” descobrem que os votos não pertencem a eles. Pertencem ao povo.

Alerta aos eleitores: em ano eleitoral, é preciso cuidado com aqueles que se apresentam como “donos de votos” ou representantes de famílias e comunidades. O voto é livre e pertence exclusivamente ao eleitor. Por isso, não se deixe influenciar por quem tenta falar em nome de muitos sem, de fato, representar seus interesses. Como ensina Mateus 7:15, “Cuidado com os falsos profetas...”.Na hora de escolher, observe quem realmente trabalha, tem credibilidade e respeita a população, e não quem apenas aparece para prometer ou negociar votos.