Política
Eduardo Bolsonaro ignora detalhes importantes ao cantar vitória
Flávio Bolsonaro está mais perto de Lula, mas Jair Bolsonaro detinha mais poder e contava com mais aliados para derrotar o petista
BATANEWS/VEJA
A menos de quarenta dias da eleição, a campanha presidencial está mais acirrada, segundo as pesquisas, do que a de 2022, quando Lula derrotou Jair Bolsonaro no segundo turno por uma diferença de apenas 1,8 ponto percentual ou 2,1 milhões de votos.
O equilíbrio registrado nos levantamentos levou o deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro a cantar vitória nas redes sociais, aventando até a possibilidade de seu irmão Flávio Bolsonaro derrotar Lula ainda no primeiro turno.
Para justificar seu otimismo, o Zero Três comparou sondagens feitas em agosto de 2022 e agosto de 2026. Ele destacou que, há quatro anos, Lula tinha uma diferença de mais de dez pontos percentuais sobre Jair Bolsonaro. Agora, no entanto, está em situação de empate técnico com o Zero Um nas simulações de segundo turno.
Na campanha passada, o capitão, como se sabe, arrancou na fase final da campanha, encurtando a distância para o petista. A tropa bolsonarista espera que isso ocorra novamente. “Estou falando, vai ser no primeiro turno”, declarou Eduardo Bolsonaro.
Quadro bem diferente
O Zero Três ignora pelo menos dois detalhes relevantes ao esgrimir sua tese. Enquanto Flávio Bolsonaro é candidato oposicionista, Jair Bolsonaro era presidente, detinha a caneta mais poderosa da República e usou e abusou da máquina pública para impulsionar a sua candidatura, exatamente como Lula faz agora.
Em julho de 2022, o capitão conseguiu aprovar no Congresso uma proposta de emenda constitucional que pavimentou o caminho para um pacote bilionário de bondades eleitorais, no qual se destacavam a ampliação do valor do Bolsa Família, de 400 para 600 reais, e a distribuição de um benefício de 1 000 reais para caminhoneiros.
A PEC só foi aprovada porque Jair Bolsonaro tinha o apoio do Centrão. Sua coligação eleitoral, por sinal, contava com PP e Republicanos, que agora optaram pela neutralidade. Esse é outro dado importante.
Ao contrário do pai, Flávio Bolsonaro faz campanha sozinho, enquanto Lula acaba de fechar um acordo político com os comandantes do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que pode destravar projetos de impacto eleitoral, como o do fim da escala 6 x 1.
A pouco mais de um mês da votação, Flávio Bolsonaro de fato está mais perto de Lula do que Jair Bolsonaro estava em agosto de 2022. O patriarca, no entanto, tinha meios e aliados bem mais poderosos para vencer a disputa. Ele não conseguiu e se tornou o único presidente derrotado numa tentativa de reeleição.






